Economia 25/04/2025 12:53
Crise na China? Fábricas fecham e o povo vai às ruas protestar

As crescentes tarifas comerciais impostas pelo governo Trump têm desencadeado uma série de reações econômicas e sociais na China, indicando um cenário de tensão crescente entre as duas nações.
Recentemente, foi anunciado um aumento para impressionantes 245% nas tarifas sobre produtos chineses, marcando o ápice da estratégia de pressão comercial dos Estados Unidos contra a China.
Este movimento ocorre em um contexto de retaliações mútua, exacerbação de tensões e ações estratégicas que remetem a um complexo jogo de xadrez político e econômico.
Confira nossa análise em vídeo:
O mais recente aumento das tarifas é uma resposta direta do governo norte-americano à decisão da China de suspender a exportação de minerais essenciais para várias indústrias nos Estados Unidos, conhecidos como terras raras.
Composto por 17 elementos, este grupo de minerais é vital para a fabricação de semicondutores, motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, entre outros produtos que ditam o ritmo do setor tecnológico moderno.
A China, percebendo a importância estratégica dessas terras raras, aposta na sua escassez no mercado ocidental como uma forma de pressionar economicamente os Estados Unidos.
Desde a década de 1990, a China seguiu uma estratégia deliberada para dominar a produção e o refinamento de terras raras, permitindo-se controlar 70% da produção mundial e 90% dos ímãs feitos com esses materiais.
Essa posição de liderança foi alcançada com menores restrições ambientais e grandes investimentos em refinamento, enquanto o Ocidente enfrentou regulamentações mais rígidas, encarecendo o processo.
A dependência dos países ocidentais desse domínio chinês destaca os riscos para a segurança estratégica dos Estados Unidos.
Em resposta a essa dependência, Trump assinou uma ordem executiva visando fortalecer a produção doméstica e reduzir a dependência de minerais críticos importados.
Paralelamente, mais de 75 países estão em negociação com os Estados Unidos na tentativa de ajustar suas relações comerciais. No entanto, a China permanece uma exceção a este movimento por optar pelo confronto em vez de uma resolução diplomática.
Internamente, a economia chinesa enfrenta sérias dificuldades.
O governo já lidava com problemas estruturais como o estouro da bolha imobiliária e o impacto negativo de políticas de lockdown rigorosas em resposta à pandemia de COVID-19.
As novas tarifas dos EUA acentuam essas vulnerabilidades, resultando em um aumento dos protestos nas ruas e crescente insatisfação cidadã.
A atual situação é sombria para muitos trabalhadores que enfrentam demissões em massa e o fechamento de fábricas, como a emblemática situação da Volkswagen na cidade de Nanking.
Notoriamente, protestos que defendem reformas políticas e uma maior democratização ganharam fôlego na China.
Em um movimento de grande risco, cidadãos desafiaram a vigilância em massa ao se manifestarem publicamente contra o governo. Apesar do risco de represálias severas, como desaparecimentos forçados, a sociedade parece estar se movimentando em busca de uma mudança.
Em meio a esse cenário de crise, a China persistiu em suas medidas de retaliação, como a proibição da compra de aviões da Boeing, ameaçando um dos setores econômicos mais importantes dos EUA. No entanto, esse tipo de decisão pode ser comparado a um tiro que atinge os próprios pés, já que igualmente prejudica suas companhias aéreas.
No tabuleiro internacional, a estratégia de Trump parece mostrar alguns resultados, com países se apressando para negociar novos acordos comerciais com os Estados Unidos.
Por outro lado, a China corre o risco de se isolar economicamente, caso continue nesse caminho de confronto contínuo. O regime de Xi Jinping, enquanto luta para manter uma imagem de força, enfrenta um desafio sem precedentes na forma de um descontentamento popular cada vez mais evidente.
A guerra comercial sino-americana está longe de ser resolvida, mas indica uma reconfiguração das dinâmicas de poder globais.
À medida que mais informações emergem sobre este embate em curso, observamos os limites do controle estatal em um país que há muito ensaia sua hegemonia no cenário internacional.
Apenas o tempo dirá como essa disputa moldará o futuro das relações internacionais, mas é certo que seus efeitos serão duradouros.
Deu em MSN

Descrição Jornalista
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