Impostos 30/03/2025 06:26
Carga tributária chega a 32,3% do PIB, maior patamar em 15 anos

O peso dos impostos pagos pela sociedade brasileira atingiu 32,3% da Produto Interno Bruto (PIB), em 2024, o maior patamar em 15 anos. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Tesouro Nacional e consideram impostos e contribuições recolhidos pelo governo federal, pelos estados e municípios.
Na comparação com 2023, a carga tributária cresceu 2,06 pontos percentuais (pp) do PIB, puxada pela tributação na esfera federal, de 1,5 pp. O restante veio de impostos cobrados pelos governos regionais.
Medidas de aumento de arrecadação propostas pelo governo do presidente Lula tem sido motivo de críticas generalizadas de setores da sociedade e de parlamentares da oposição. O argumento é que a capacidade contributiva do país chegou ao limite.
Durante a tramitação da Reforma Tributária no Congresso, umas das principais preocupações foi de evitar o aumento da carga de impostos. As mudanças ainda não entraram em vigor.
Segundo o relatório do Tesouro, a taxação dos fundos exclusivos de investimentos, voltados para os chamados “super-ricos”, e dos recursos mantidos em paraísos fiscais (offshores) ampliou a arrecadação do governo federal em 0,5 pp no ano passado.
A reoneração de tributos federais sobre combustíveis também impulsionou a receita do governo federal: houve aumento de 0,81 pp na arrecadação de impostos sobre bens e serviços, com destaque para as contribuições para PIS/Cofins, efeito positivo do crescimento da economia.
Ao todo, a União respondeu por uma carga de 21,43% do PIB, um patamar recorde na série.
O Tesouro argumenta que uma parcela das receitas é dividida com estados e municípios. O relatório procura demonstrar que a União ampliou as transferências aos governos regionais nos últimos anos.
Na esfera estadual, o aumento da carga decorreu principalmente da reoneração Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis e do crescimento da venda de bens.
Já nos governos municipais, o principal fator foi a maior arrecadação com o Imposto sobre Serviços (ISS), influenciada pela expansão no volume de vendas desse setor em 2024.
Deu em O Globo

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