Katharine Hepburn: a surpreendente história da atriz que mais venceu Oscars - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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Artes 03/03/2025 09:58

Katharine Hepburn: a surpreendente história da atriz que mais venceu Oscars

Katharine Hepburn: a surpreendente história da atriz que mais venceu Oscars

Quatro Oscars no currículo. O feito alcançado por Katharine Hepburn, em 1982, fez com que ela se tornasse recordista em vitórias nas categorias de atuação do prêmio.

E isso segue igual até hoje. Atrás dela vem Daniel Day-Lewis, com três vitórias.

O talento da atriz era tão admirável que ela conseguiu desafiar a Academia e, mesmo assim, ser reconhecida múltiplas vezes. Katharine nunca compareceu à cerimônia para receber os troféus. Ela cedeu aos convites para o evento apenas em 1974, quando anunciou o prêmio Irving G. Thalberg. Foi aplaudida de pé.

No ano de 1969, dividiu o prêmio com Barbra Streisand (Funny Girl: A Garota Genial), no empate mais memorável da história do Oscar. Ou seja, mesmo tendo competidoras fortes e desdenhando o prêmio, Katharine era aclamada pelos votantes. Ao todo, foi indicada 12 vezes, sempre no papel principal.

Mas a estrela não gerava polêmica apenas pela ausência nas cerimônias ao Oscar. Ela desafiou Hollywood como um todo. Em plena década de 1930, se recusava a performar feminilidade – e permaneceu assim por toda vida. Fazia questão de vestir calças e não gostava de maquiagem – duas coisas muito criticadas na época.

Katharine Hepburn foi muito criticada gostar de calças — Foto: State Library of New South Wales (Australia) via Wikimedia Commons
Katharine Hepburn foi muito criticada gostar de calças — Foto: State Library of New South Wales (Australia) via Wikimedia Commons

Noventa anos atrás, em 1935, a atriz foi ainda mais além. Ela já tinha o prestígio do primeiro Oscar e uma carreira em franca ascensão, mas resolveu se arriscar no filme Vivendo em Dúvida, em que interpreta uma mulher que finge ser homem. Chegou a beijar uma colega em cena, a atriz Dennie Moore.

Pouco antes do lançamento de Vivendo em Dúvida, Katharine havia se divorciado do marido, Ludlow Ogden Smith. De acordo com o livro Moxie: The Daring Women of Classic Hollywood, nessa época ela passou a viver com uma “companheira feminina”.

Os rumos sobre sua sexualidade passaram a ser frequentes, mas nem isso impediu que ela trabalhasse – e muito – no cinema. Em 1935, protagonizou três filmes. Entre 1936 e 1938, foram dois longas lançados por ano. Deixou de atuar somente em meados dos anos 1990.

Até hoje não é possível afirmar que Katharine fosse lésbica ou bissexual, mas biógrafos e pessoas próximas à atriz afirmam que ela se envolvia com mulheres. Para muitos, a estrela é tida como ícone LGBT. Ela sempre se manteve reservada quanto à vida intima e detestava entrevistas. Era lida como arrogante pela opinião pública, mas hoje esse comportamento é comumente interpretado como autoproteção.

Morreu aos 96 anos, em 2003. Passou por uma velhice solitária e dizia que isso não a incomodava. Depois do divórcio no início da carreira, nunca mais se casou.

Numa icônica entrevista da década de 1980, declarou:

“Eu não vivi como uma mulher. Eu vivi como um homem. Eu fiz tudo o que queria e ganhei dinheiro o suficiente para me manter. E eu não tenho medo de viver sozinha”. Até mesmo nessa época, quando já tinha mais de 70 anos e uma carreira absolutamente consolidada, não escapava de perguntas esdrúxulas sobre seu jeito de ser. “Você já usou saia alguma vez?”, indagou a entrevistadora Barbara Walters. “Tenho uma. Vou usa-la no seu funeral”, respondeu Katharine, gargalhando.

Para além do lendário status de ser a pessoa com mais Oscars em categorias de atuação, Katharine também será sempre lembrada como uma mulher que enfrentou uma das indústrias mais poderosas do mundo. Mesmo sendo um verdadeiro “moedor de carne”, Hollywood jamais conseguiu ser indiferente a Katharine, nem fazer com que ela perdesse sua essência transgressora.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista