A Meta anunciou que irá acabar com o programa de checagem de fatos e que, no lugar, irá seguir o modelo de Notas de Comunidade, à semelhança do sistema usado pelo X (antigo Twitter).

Na visão da empresa, os verificadores de informação apresentavam muitos vieses em suas escolhas para moderação de conteúdo e, por isso, o sistema teria se tornado uma ferramenta de censura.

Segundo anúncio da Meta, as notas de comunidade irão permitir que outros usuários decidam quais postagens podem desinformar e precisam de mais contexto. Os próprios usuários também irão definir o contexto que precisa ser informado.

“Nós pensamos que essa pode ser uma forma melhor de atingir a nossa intenção inicial de fornecer às pessoas informações sobre o que estão vendo – e uma que é menos propensa a viés”, diz o anúncio da big tech. As mudanças promovidas pela empresa, no entanto, geram temores de aumento da desinformação.

Celular com logomarca da Meta na tela na frente de monitor com foto de Mark Zuckerberg com cara franzida
(Imagem: Muhammad Alimaki/Shutterstock)

O que era o sistema de checagem de fatos da Meta?

Enquanto o modelo notas de comunidade não acontece, a Meta dispõe de verificadores de fatos independes da empresa e certificados por entidades apartidárias, como a Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN) para checar conteúdos do FacebookInstagram e Threads.

Primeiro, a tecnologia da companhia identifica publicações que podem conter desinformação, com base em alguns parâmetros como reação das pessoas e velocidade da disseminação do conteúdo. Ela também considera a sinalização dos próprios usuários para identificar posts de desinformação. Já nas notas de comunidade a avaliação do conteúdo publicado nas plataformas da Meta será feita por usuários.

Em seguida, os verificadores analisam o conteúdo e sua precisão. Isso inclui ligar para fontes, consultar dados e verificar a autenticidade de imagens e vídeos. Um post pode ser classificado como falso, alterado, parcialmente fora de contexto, sátira ou verdadeiro. A partir disso, são determinadas as consequências para aquele post.

Conteúdos considerados sátiras e verdadeiro não têm rótulos nem restrições, mas falsos, alterados e fora de contexto, sim.

Tela de smartphone quebrada em cima do logo do Messenger
Imagem: MichaelJayBerlin/Shutterstock

Meta e X/Twitter: entenda o que é e para que serve o “sistema de notas de comunidade”

De acordo com a Meta, haverá uma transição entre o modelo de verificação de dados e o notas de comunidade. Nesse caso, as plataformas irão apresentar rótulos mostrando que há informações adicionais a respeito daquele post. Não haverá avisos em telas cheias que se sobrepõem à página e que o usuário precisa clicar nele antes de ver o conteúdo.

Em Notas de Comunidade do X, ao qual a Meta se referiu no anúncio, os colaboradores se inscrevem para redigir e avaliar o contexto fornecido para determinado conteúdo. Para identificar os textos úteis, é preciso que os que haja acordo entre os colaboradores. Isso ocorre sem moderação do X.

Segundo a plataforma, a função desse sistema é encontrar os contextos que pessoas de várias perspectivas diferentes consideraram como úteis com o objetivo de que aquele texto seja considerado benéfico para um público amplo.

Deu em Olhar Digital