Biodiversidade de espécies selvagens diminuiu 73% desde 1970, diz relatório - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Animais 21/10/2024 14:40

Biodiversidade de espécies selvagens diminuiu 73% desde 1970, diz relatório

ONG aponta que alguns ecossistemas, como a Floresta Amazônica, já estão próximos de seu ponto de inflexão. Quando ele for atingido, as consequências das mudanças climáticas serão irreversíveis

Biodiversidade de espécies selvagens diminuiu 73% desde 1970, diz relatório

Um novo relatório feito pela World Wide Fund for Nature (WWF) indica que as populações de espécies animais selvagens monitoradas em todo o mundo despencaram mais de 70% na última metade do século.

Publicado nesta quinta-feira (10), o Índice Planeta Vivo está disponível para download no site da ONG.

Reunindo dados de 35 mil populações, dentre 5.495 espécies de mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes, o documento compara as tendências desde 1970 até a atualidade. Ele considera o número de grupos, não a quantidade individual de animais.

“O quadro que estamos pintando é incrivelmente preocupante”, afima Kirsten Schuijt, diretora da WWF Internacional, em coletiva de imprensa. Daudi Sumba, responsável pelo setor de conservação da ONG, acrescenta: “Não se trata apenas da vida selvagem, mas dos ecossistemas essenciais que sustentam a vida humana”.

Crises interconectadas

O relatório da WWF reitera a necessidade de enfrentar simultaneamente as “crises interconectadas” das mudanças climáticas e da destruição da natureza.

O risco diz respeito, sobretudo, aos “pontos de inflexão” que se aproximam de certos ecossistemas.

Quando os impactos cumulativos atingem um limiar, a mudança se torna ilimitada e incessante, resultando em uma transformação substancial, abrupta e potencialmente irreversível, com consequências devastadoras para a humanidade, bem como para as outros habitantes do planeta.

Tais pontos de não retorno globais podem ser difíceis de compreender, mas sua aproximação já pode ser vista em níveis local e regional, segundo a WWF. Na Floresta Amazônia, por exemplo, o desmatamento e as alterações climáticas estão causando a redução nas chuvas.

Nesse caso, o ponto de inflexão pode representar a transformação do “sequestrador de carbono em uma fonte de carbono”, como descreve Sumba.

E isso pode estar no horizonte próximo. Estima-se que o ponto de não retorno para o bioma seja alcançado quando o desmatamento atingir entre 20% e 25% do território vegetal; hoje, calcula-se que 14% a 17% da Amazônia já tenha sido desmatada.

Regiões mais afetadas

De acordo com o relatório, o declínio mais forte foi encontrado nos ecossistemas de água doce (85%), seguido pelo terrestre (69%) e marinho (56%).

A degradação e a perda dos habitats naturais, impulsionadas pelo agronegócio, a poluição, a migração de espécies invasoras e o crescimento da incidência de novas doenças são alguns dos responsáveis por esses desequilíbrios ecológicos.

Embora o estudo aponte quedas acelerados em todo o mundo, com uma diminuição média de 73% no número de vida selvagem, algumas regiões estão piores do que outras.

Na América Latina e no Caribe, áreas conhecidas por sua riqueza em biodiversidade, o número de perdas populacionais chega a 95%. Por sua vez, a África apresentou uma queda de 76% e Ásia-Pacífico de 60%.

A redução populacional foi menor na Europa, na Ásia Central e na América do Norte. Nessas regiões, algumas populações se estabilizaram ou até se expandiram – muito disso graças aos esforços de conservação e à reintrodução de espécies.

O bisão europeu, por exemplo, que desapareceu da natureza em 1927, em 2020, já contava com uma nova população de 6,8 mil exemplares.

Cenário ainda reversível

Embora tenha avaliado o quadro geral do globo como “incrivelmente preocupante”, Schuijt diz que ainda há esperança de melhora. “As decisões tomadas e as ações realizadas nos próximos cinco anos serão cruciais para o futuro da vida na Terra. O poder e a oportunidade estão em nossas mãos”.

Para a diretora, se os esforços globais seguirem à risca os pactos firmados nas reuniões sobre clima e biodiversidade, será possível proteger até 30% do planeta até 2030, como previsto pelos especialistas. Mas isso exige colocar urgência na pauta.

“Sabemos que a contribuição de cada nação para as crises climáticas é distinta, pois um grupo pequeno de nações é responsável pela maior parte do consumo que gera a degradação ambiental”, destaca Helga Correa, especialista da WWF Brasil, em comunicado.

“Ao mesmo tempo, são as populações que menos contribuem para a crise as mais afetadas. Por isso, é um equívoco imaginarmos que existe solução individual para esses problemas”.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
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