Homem 25/08/2024 07:18
É o fim dos homens? Cromossomo Y está desaparecendo, mas há uma esperança
A degeneração do cromossomo Y ao longo do tempo é uma ameaça à sobrevivência da espécie humana, mas ainda há uma forma de evitá-la

Enquanto vivemos nossas vidas, uma mudança silenciosa está acontecendo em nosso DNA. O cromossomo Y, que determina o sexo masculino de um embrião, está lentamente se desgastando.
Estudos indicam que, se essa tendência continuar, em milhares de anos ele deixará de existir, e, consequentemente, a espécie humana pode simplesmente desaparecer.
Contudo, ainda há uma esperança. Nesse tempo, nossa espécie pode ser capaz de desenvolver um novo gene sexual. Esse fenômeno já foi observado em ratos durante estudos.
Embora pequeno e com poucos genes, o cromossomo Y desempenha um papel crucial na determinação do sexo masculino em humanos e outros mamíferos. Enquanto as fêmeas possuem dois cromossomos X, os machos têm um X e um Y.
Embora o X contenha muitos genes com funções variadas, o Y é único porque carrega o gene SRY, fundamental para iniciar o desenvolvimento masculino.
Cerca de 12 semanas após a concepção, o gene SRY ativa outros genes que regulam a formação dos testículos no embrião. Esses testículos, por sua vez, produzem hormônios masculinos, como a testosterona, que guiam o desenvolvimento do bebê como um menino.
Sem o cromossomo Y e o gene SRY, o embrião não desenvolve características masculinas. Ou seja, se o Y desaparecer, os homens também desaparecerão. Como os humanos não evoluíram para se reproduzir sem o sexo masculino, seríamos extintos.


Apesar de assustador, a ideia do desaparecimento do cromossomo Y pode não significar nosso fim. Se os caminhos evolutivos resultarem no surgimento de um novo gene sexual que garanta o nascimento de meninos, estamos a salvo.
Esse fenômeno já foi observado em duas linhagens de roedores. Os ratos-toupeira da Europa Oriental e os ratos-espinhosos do Japão possuem algumas espécies onde o cromossomo Y e o gene SRY desapareceram. Ainda não se sabe como os toupeiras conseguiram sobreviver, mas no caso dos espinhosos já existe uma resposta.
Uma equipe de biólogos da Universidade de Hokkaido descobriu que os genes do Y foram realocados para outros cromossomos, mas não encontraram o SRY.
Em 2022, identificaram uma pequena duplicação de DNA no cromossomo 3, perto do gene SOX9, que pode substituir o papel do SRY, ativando o SOX9 e permitindo a determinação sexual masculina sem o cromossomo Y.
Então, mesmo que o futuro da humanidade seja incerto, é possível que possamos evitar a extinção. Se os ratos conseguiram, também podemos seguir esse caminho.
Deu nok The Conversation/Olhar Digital

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