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Comportamento 26/05/2024 19:02

Tatuagens podem ser fator de risco para câncer linfático, aponta estudo

Pesquisa com mais de 2,9 mil pessoas que tiveram linfoma sugere que tamanho da tatuagem não importa; investigadores destacam necessidade de mais estudos sobre o tema

Tatuagens podem ser fator de risco para câncer linfático, aponta estudo

Pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, identificaram uma possível relação entre tatuagens e o aparecimento de linfoma, um tipo de câncer grave que afeta o sistema linfático.

A conclusão foi registrada em um estudo publicado em 21 de maio no periódico eClinicalMedicine.

O conhecimento sobre os efeitos das tatuagens a longo prazo na saúde ainda é escasso, já que não há muita pesquisa na área.

Mas os pesquisadores de Lund resolveram averiguar o assunto, incluindo 11.905 participantes em sua pesquisa, dos quais 2.938 tiveram linfoma quando tinham entre 20 e 60 anos.

No linfoma, as células tumorais são glóbulos brancos chamados de linfócitos. Segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, os linfócitos e seus precursores, que deveriam nos proteger contra as bactérias, vírus, dentre outros perigos, “se transformam em malignos, crescendo de forma descontrolada e ”contaminando’ o sistema linfático”.

Entre os indivíduos que sofreram do câncer, 1.398 responderam a um questionário. Para fins de comparação, um grupo controle de 4.193 indivíduos foi avaliado.

“Identificamos pessoas diagnosticadas com linfoma através de registros populacionais”, explica a líder do estudo, Christel Nielsen, pesquisadora da Universidade de Lund.

O questionário respondido na pesquisa mostrou fatores de estilo de vida e se os participantes eram ou não tatuados. 

No grupo com linfoma, 21% das pessoas tinham tatuagens (289 indivíduos), enquanto 18% eram tatuadas no grupo controle sem diagnóstico de linfoma (735 participantes).

Ao considerarem outros fatores, como tabagismo e idade, os cientistas estimaram que o risco de desenvolver o câncer linfático era 21% maior entre os tatuados. “É importante lembrar que o linfoma é uma doença rara e que nossos resultados se aplicam a nível de grupo. Os resultados agora precisam ser verificados e investigados mais detalhadamente em outros estudos e essa pesquisa está em andamento”, destaca a líder do estudo.

O tamanho da tattoo influencia?

Inicialmente, os pesquisadores imaginavam que uma maior extensão da tatuagem aumentaria o risco de câncer linfático — mas eles descobriram que esse não é o caso.

“Ainda não sabemos por que isso aconteceu. Só podemos especular que uma tatuagem, independentemente do tamanho, desencadeia uma inflamação de baixo grau no corpo, que por sua vez pode desencadear o câncer”, diz Nielsen.

Conforme a pesquisadora, cientistas já sabem que a tinta da tatuagem quando injetada na pele gera uma reação no corpo, que identifica algo estranho e ativa o sistema imune. “Grande parte da tinta é transportada para longe da pele, para os gânglios linfáticos onde é depositado”, ela afirma.

Os pesquisadores querem aprofundar seu estudo com outras análises para entender se existe alguma associação entre tatuagens e outros tipos de câncer. Eles também querem fazer mais pesquisas sobre outras doenças inflamatórias para ver se há uma ligação com tinta de tatuagem.

“As pessoas provavelmente vão querer continuar a expressar a sua identidade através de tatuagens e, portanto, é muito importante que nós, como sociedade, possamos garantir que é seguro”, considera Nielsen.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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