Saúde 11/10/2025 18:14
“40% da população tem colesterol alto”, diz especialista
O novo limite de alerta para controle de colesterol foi um dos temas abordados pelo coordenador da Cardiologia do Hospital Brasília, Ernesto Joscelin, nesta quinta-feira (09/10), durante entrevista ao CB.Saúde, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.
Às jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte, o especialista falou sobre os sinais que devem ser observados pela população, além de cuidados e hábitos que ajudam a prevenir doenças cardiovasculares.
Qual a predominância de colesterol alto na população e em Brasília?
Os problemas de aumento de colesterol, de gordura no sangue, são extremamente prevalentes. E essa prevalência é bastante alta, pois o aumento dessas gorduras está associado a outro fenômeno, que é uma epidemia de obesidade. Por isso, a estimativa é de que de 30% a 40% da população tenha colesterol alto.
O que mudou nas metas de controle de colesterol com as novas diretrizes?
As novas diretrizes brasileira e europeia tratam com mais rigor o controle, os alvos e as metas de tratamento do colesterol, principalmente do mal colesterol, que é o LDL-colesterol. Para ser considerado um baixo risco cardiovascular, por exemplo, a meta baixou de um LDL em torno de 130 para menor do que 115.
Para pacientes que tiveram um evento cardiovascular, qual é a nova meta de LDL-colesterol?
Pacientes que tiveram eventos como infarto, derrame e obstrução de artérias maior do que 50% precisam de um controle do LDL-colesterol ainda mais rigoroso. A meta baixou para menor do que 40, inclusive. É um ponto que muda bastante a abordagem para esses pacientes.
Que fatores levam ao aumento do colesterol?
Existem fatores alimentares, como o tipo de alimentação. Ao consumir mais calorias do que se gasta, o corpo transforma esse excesso em gordura, que fica disponível na circulação sanguínea. Outra questão é a genética. Existem doenças, chamadas de hipercolesterolemia, que são familiares. Isso precisa ser rastreado de forma extremamente objetiva no consultório.
Existem sinais visíveis no corpo que indicam o colesterol alto?
Sim. É possível observá-los, principalmente, na pele do rosto da pessoa. Existem alterações, chamadas xantelasmas, que são depósitos de gordura em algumas áreas do rosto, mas que podem aparecer em áreas articulares e nas mãos também. Parecem placas elevadas na pele, mas, em geral, são depósitos de colesterol. Por outro lado, a maioria das pessoas são assintomáticas.
Quais eventos de saúde o colesterol alto pode desencadear?
Ao longo da vida, o colesterol forma placas de gordura que vão progredindo. Quando elas obstruem a artéria do coração, isso ocasiona essa lesão no músculo cardíaco, que é o infarto. Já a deposição de placas de gordura em várias artérias do organismo, como no coração, no pescoço ou na cabeça, causam o acidente vascular cerebral (AVC).
Qual o risco do colesterol alto em crianças e jovens?
Essa doença, que é a doença ateromatosa vascular, forma placas de gordura nas artérias do organismo como um todo. E elas começam, muitas vezes, na infância, ocasionando riscos de eventos cardíacos graves em menores de 10 anos de idade. Uma pessoa que ficou com colesterol alto a infância e a adolescência toda, e só com seus 30, 40 anos conseguiu identificar esse aumento, ficou durante muitos anos sem fazer o tratamento correto.
A estatina é o tratamento padrão? Há novos medicamentos?
Sim, continua sendo. As estatinas mudaram o desfecho de muitas vidas. Hoje em dia, são distribuídas de graça, tanto nos postos de saúde quanto nas farmácias populares. Por outro lado, já existem remédios com os inibidores da PCSK9 que são extremamente caros, mas com resultado muito positivo, em termos de benefício cardiovascular e de redução dos riscos de mortalidade e de eventos cardíacos e neurológicos.
As canetas emagrecedoras têm relação com a saúde cardiovascular?
As canetas têm um benefício comprovado. Elas diminuem o risco cardiovascular, não somente pelo efeito direto da medicação, mas, principalmente, pelo resultado, que é a perda de peso.
Qual a periodicidade recomendada para checar o colesterol?
Na população em geral, a diretriz recomenda acompanhar o colesterol a partir dos 30 anos de idade. Nas famílias com histórico de aumento de colesterol, deve-se fazer nas crianças, inclusive.
Se não estiver alterado, anualmente está de bom tamanho?
Geralmente, a cada um ou dois anos é o suficiente.

Descrição Jornalista
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