FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Comportamento 24/12/2025 16:52

4 Conversas para o Casal Ter Antes do Ano Novo

4 Conversas para o Casal Ter Antes do Ano Novo

Há algo estranhamente revigorante no trecho final do ano. Talvez seja a sensação de que o tempo se organiza em uma caixa bem definida, ou o apelo psicológico de um recomeço completamente novo.

Culturalmente, porém, os seres humanos têm uma compreensão intuitiva de que o fim do ano é um momento de balanço.

Nos assuntos do coração, essa pausa sazonal oferece uma oportunidade de recalibrar a relação com intencionalidade. Casais que dão certo são aqueles que mantêm conversas honestas com regularidade.

Essas conversas são melhor conduzidas antes de o novo ano começar oficialmente, para que vocês tenham a chance de moldar ativamente a história, em vez de apenas reagir a ela. A seguir, quatro conversas de fim de ano para casais que querem entrar no Ano Novo com uma perspectiva renovada.

Pense nelas como a chance de fechar todas as abas abertas, limpar a caixa de entrada e organizar a agenda para janeiro.

1. A conversa “O que funcionou para nós este ano?”

Há evidências crescentes de que uma das atitudes mais poderosas que parceiros podem ter é notar o que deu certo, em vez de se concentrar apenas no que deu errado. A psicologia positiva há muito demonstra que expressar gratidão pelo que funciona fortalece a resiliência e aumenta a satisfação no relacionamento.

Mais importante ainda, pesquisas experimentais indicam que não é tanto o ato da gratidão em si que importa, mas a forma como o parceiro responde a ela. Quando há reconhecimento e compreensão de ambos os lados, os benefícios se multiplicam, pois fortalecem o senso de “nós”, ampliando os recursos coletivos do casal. Quando a resposta é fraca, o efeito também é menor, um lembrete de que a conexão autêntica é o motor do crescimento relacional.

Essa conversa é simples, mas enganosamente poderosa. Vocês podem se perguntar:

● O que lidamos bem como equipe este ano?

● Quais pequenos rituais, práticas ou escolhas nos fizeram sentir mais próximos?

● Quais momentos pareceram “nós no nosso melhor”?

Não se trata de romantizar o ano, mas de identificar padrões relacionais que valem a pena levar adiante. Talvez tenham sido os check-ins em semanas estressantes. Talvez um ritual bobo pela manhã que, inesperadamente, trouxe estabilidade. Ou a proteção rigorosa das noites de encontro.

Falar sobre isso pode ser prazeroso e terapêutico, pois fortalece a base psicológica do relacionamento. Dá ao casal um mapa mental coletivo para o ano seguinte e reduz o risco de cair no piloto automático.

2. A conversa “O que foi difícil para nós este ano?”

Temos uma tendência natural a evitar a dor. Mas a evitação não resolve os problemas; ao contrário, costuma acumulá-los. Um estudo de 2022 publicado no Journal of Social and Personal Relationships mostrou que, quando confrontados com emoções difíceis ou pedidos de mudança, parceiros frequentemente recorrem à supressão para evitar conflitos.

Embora essa supressão possa criar harmonia no curto prazo, raramente constrói conexão duradoura. Na prática, ela apenas ajuda a “cumprir expectativas” por um tempo, até que a tensão reprimida reapareça. A reavaliação, pausar para compreender e articular as próprias emoções, prevê ajustes mais saudáveis e mudanças relacionais mais sustentáveis.

Por isso, perguntar “O que foi difícil para nós este ano?” tem tanto peso. O objetivo não é reabrir conflitos antigos, mas reconhecer o que pesou e liberar o que não precisa acompanhar vocês no próximo ano. Para buscar clareza, e não conflito, considerem perguntas como:

● O que nos sobrecarregou?

● Quais temas continuaram reaparecendo?

● Quais necessidades ficaram sem voz?

● Do que ainda estamos nos apegando?

Nomear experiências difíceis reduz a reatividade emocional, aumenta a clareza cognitiva e fortalece a sensação de segurança emocional. Casais que fazem isso com regularidade reforçam a ideia de que conseguem falar sobre assuntos difíceis sem se romper.

Muitas vezes, simplesmente dizer “estávamos sobrecarregados” ou “eu não sabia como pedir ajuda” suaviza frustrações e abre espaço para a compaixão. Essa conversa evita o acúmulo silencioso que prejudica relacionamentos muito mais do que as dificuldades em si.

3. A conversa “Como queremos que o próximo ano seja sentido?”

Há evidências consistentes de que casais que compartilham uma orientação para o futuro se saem melhor em praticamente todos os indicadores relacionais. Uma meta-análise de 2022 sugere que parceiros que alinham objetivos e apoiam as aspirações um do outro relatam níveis significativamente mais altos de satisfação no relacionamento.

O preditor mais forte identificado no estudo foi a congruência de metas, o quanto as visões de futuro dos parceiros se assemelham. Em contraste, conflitos de metas predizem menor satisfação, evidenciando o custo relacional de desejos não ditos ou desalinhados.

Essa conversa muda o foco de “O que devemos fazer no próximo ano?” para “Como queremos que nosso relacionamento seja sentido no próximo ano?”. É um convite para desenhar a arquitetura emocional do ano que vem com intenção. Algumas perguntas que ajudam o casal a co-criar essa visão são:

● Quais partes de nós queremos desenvolver individualmente que, por consequência, nos fortaleçam como casal?

● O que nos faria sentir mais conectados no dia a dia?

● Qual ritual relacional queremos garantir que será prioridade?

Se surgirem diferenças inesperadas, lembrem-se: isso não é uma lista de incompatibilidades, mas um desafio de design. Trabalhar essas diferenças juntos tende a fortalecer ainda mais o senso de “nós”.

Ao escolher intencionalmente o “design” emocional do ano seguinte, as chances de mudança real aumentam muito, em vez de simplesmente repetir velhos hábitos. É uma forma consciente de cocriar o relacionamento ao longo do ano.

4. A conversa “O que vamos proteger no próximo ano?”

Todo relacionamento sólido tem limites de proteção que sustentam a parceria. Mas a maioria dos casais nunca os nomeia explicitamente. Casais que identificam e preservam esses “fatores protetivos” lidam melhor com o estresse, resistem a pressões externas e mantêm a intimidade ao longo do tempo.

Pesquisas sobre gestão de limites em casais em que ambos trabalham mostram maior satisfação quando há clareza sobre o que pode interromper o quê, especialmente quando demandas familiares invadem temporariamente o trabalho. Não é a interrupção em si que fortalece a relação, mas o acordo compartilhado sobre ela.

*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

Deu em Forbes

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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