Indústria 05/07/2022 11:38

Produção industrial tem 4ª alta seguida, mas segue abaixo do patamar pré-pandemia

Produção industrial tem 4ª alta seguida, mas segue abaixo do patamar pré-pandemia

A produção industrial brasileira cresceu 0,3% em maio, na comparação com abril, na quarta alta mensal consecutiva, conforme divulgado nesta terça-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a maio do ano passado, o avanço foi de 0,5%.

Apesar do resultado positivo, o avanço em maio não foi suficiente para eliminar a perda de 1,9% registrada em janeiro, e a indústria segue com um nível de atividade abaixo do padrão pré-pandemia.

resultado veio abaixo do esperado. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de avanço de 0,7% na variação mensal e de 1,1% na base anual.

No ano, a indústria acumula alta de 2,6%. Em 12 meses, porém, a queda acumulada foi ampliada para -1,9%, contra -0,3% nos 12 meses até abril.

“Com esses resultados, o setor industrial ainda se encontra 1,1% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 17,6% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011″, destacou o IBGE.

Entre os fatores que limitam a recuperação da indústria, segundo o IBGE, está a inflação em patamares mais elevados reduzindo a renda das famílias, taxa de juros alta encarecendo o crédito e o mercado de trabalho que ainda permanece com a característica de uma massa de rendimentos que não mostra avanço.

“O setor industrial ainda tem um espaço grande a ser recuperado frente a patamares mais elevados da série histórica. Ainda permanecem a restrição de acesso das empresas a insumos e componentes para a produção do bem final e o encarecimento dos custos de produção. Várias plantas industriais prosseguem realizando paralisações, reduções de jornadas de trabalho e concedendo férias coletivas, com a indústria automobilística exemplificando bem essa situação nos últimos meses”, afirmou André Macedo, gerente da pesquisa industrial mensal.

Destaques do mês

Em maio, 3 das 4 grandes categorias econômicas e 19 das 26 atividades industriais pesquisadas apontaram avanço na produção.

Entre os ramos industriais, as influências positivas mais importantes foram na produção de máquinas e equipamentos (7,5%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (3,7%), com ambas voltando a crescer após recuarem no mês anterior: -3,1% e -4,6%, respectivamente.

Já as principais quedas foram em indústrias extrativas (-5,6%) e outros produtos químicos (-8,0%).

“De uma maneira geral, há uma melhora no desempenho da indústria nos últimos quatro meses que pode estar relacionada às medidas de incremento da renda implementada pelo governo (liberação de recursos do FGTS e antecipação do 13º para aposentados e pensionistas). Isso pode estar trazendo algum impacto positivo para o setor industrial, além da evolução no mercado de trabalho com a redução da taxa de desocupação. São fatores que devem ser considerados para entender o comportamento positivo da indústria nesse momento” analisa André Macedo, gerente da pesquisa industrial mensal.

Entre as grandes categorias econômicas, bens de capital (7,4%) e bens de consumo duráveis (3,0%) tiveram as taxas positivas mais acentuadas em maio de 2022, com ambas voltando a crescer após recuarem em abril.

O setor de bens de consumo semi e não duráveis (0,8%) também cresceu, mas com ritmo abaixo do verificado no mês anterior (2,3%). O segmento de bens intermediários (-1,3%) foi o único que recuou em maio, interrompendo três meses consecutivos de avanço na produção.

A indústria brasileira vem sendo impactada pelos custos elevados por conta da disparada das commodities e energia, além da falta de insumos e restrições de oferta.

Apesar deste cenário, a confiança da indústria no Brasil subiu pelo terceiro mês seguido em junho e o índice de confiança empresarial atingiu o maior nível desde outubro de 2021.

A expectativa dos economistas, porém, é de uma desaceleração da atividade econômica neste 2º semestre em razão do aperto das condições monetárias e financeiras, em meio à alta da taxa básica de juros para tentar frear a inflação.

O Banco Central admitiu oficialmente que a meta de inflação será descumprida em 2022 pelo segundo ano seguido – a estimativa é que o IPCA feche o ano em 8,8%.

Para tentar cumprir a meta do próximo ano, o BC elevou neste mês a taxa básica de juros para 13,25% ao ano, o maior patamar desde 2016. A instituição também indicou que a Selic ficará alta por um período maior de tempo.

Deu em G1

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista