Vacina 13/01/2022 08:21

Vacina brasileira contra a Covid começa a ser testada em Salvador

Por Ricardo Rosado de Holanda

Primeira fase de testes do imunizante desenvolvido pelo Senai Cimatec terá 90 voluntários. Pesquisa tem verbas do governo federal

Noventa voluntários de Salvador (BA), entre 18 e 55 anos, podem fazer parte da história do desenvolvimento de uma vacina brasileira contra a Covid-19.

Nesta quinta-feira (13/1), eles receberão doses do imunizante desenvolvido pelo Senai Cimatec em parceria com a empresa norte-americana de biotecnologia HDT Bio Corp.

É a primeira fase de testes de um imunizante com tecnologia inédita, e a expectativa dos desenvolvedores é de que uma única dose produza resposta imunológica robusta, além de proteção contra todas as variantes conhecidas. Uma empresa da Índia, a Gennova Biopharmaceuticals, também participa do desenvolvimento da vacina e produziu as doses que serão usadas nos testes.

Nesse projeto, cuja fase 1 de estudos custará R$ 6 milhões, a parte brasileira do investimento é bancada pelo governo federal, por meio do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou os testes.

Nesta primeira fase, o objetivo é avaliar a segurança da vacina e a possibilidade de que ela gere reação adversa local ou sistêmica no organismo. A resposta imune também será pesquisada, por isso três concentrações diferentes de dose serão testadas. A expectativa é de que uma dose baste para gerar resposta imune suficiente, segundo a equipe técnica do centro de tecnologia e inovação Senai Cimatec.

Se a vacina passar pela fase 1, a fase 2 deverá contar com 400 voluntários, e a 3, se houver, terá entre 3 mil e 5 mil participantes. Todo o período de ensaios clínicos deve durar 1 ano.

Além de útil na estratégia brasileira para lidar com a pandemia, o desenvolvimento dessa vacina traz ao país a oportunidade de ter tecnologias que facilitam a pesquisa de imunizantes e remédios para outras doenças.

O médico infectologista Roberto Badaró, pesquisador do Senai Cimatec, diz que a tecnologia à qual o Brasil agora tem acesso poderá ajudar na produção nacional de vacinas para a prevenção de doenças como dengue, zika e febre amarela.

“O impacto na morbidade das doenças que avassalam a humanidade vai ser muito grande, a ciência dá um salto muito grande para criar medicamentos específicos para as pessoas utilizarem”, ressalta ele.

Deu em Metrópoles

Ricardo Rosado de Holanda



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