Vacina 25/10/2021 10:25

Covid: segunda geração de vacinas busca aumento de eficácia e duração da proteção

Imunizantes estão sendo testados por cientistas de vários países — alguns das doses já em estágio avançado. A expectativa é de que os protocolos aumentem a eficácia e a duração da proteção atualmente conferidas

Há um ano, o mundo aguardava, ansioso, a aplicação das vacinas anticovid-19, algo que iria acontecer a partir de dezembro, com o Reino Unido imunizando a primeira pessoa não participante de um ensaio clínico.

Agora, com 37% da população global tendo recebido ao menos uma dose, novas substâncias estão sendo desenvolvidas em laboratórios — até sexta-feira, mais de 240, sendo 11 delas na fase final dos estudos, segundo a Regulatory Affaris Professionals, organização mundial que acompanha a regulação de produtos e serviços de saúde.

Embora as vacinas disponíveis atualmente estejam se saindo bem nos testes de eficácia — com dados do mundo real e envolvendo um grande número de pessoas dos cinco continentes —, a segunda geração dos imunizantes pode, com abordagens inovadoras, reduzir ainda mais a mortalidade e a taxa de transmissão.

Além disso, mesmo substâncias baseadas em plataformas tradicionais são importantes, porque, assim, amplia-se a oferta. Enquanto muitos países, incluindo o Brasil, já aplicam o reforço em profissionais de saúde, idosos e imunossuprimidos, mais da metade da população mundial não teve acesso a sequer uma dose.

“A demanda global por vacinas para covid-19 permanecerá alta na próxima década, devido ao surgimento de variantes letais do Sars-CoV-2, que escapam (das atuais)”, diz Robin Shattock, que lidera o projeto de pesquisa de imunizantes para covid-19 no Imperial College de Londres.

Neil King, pesquisador da Universidade de Washington em Seattle e cofundador da startup Icosavax, aposta no que chama de “era digital do desenvolvimento de vacinas”, usando métodos computacionais para fabricar substâncias que agem em nível atômico, melhorando a eficácia e aumentando a imunogenicidade das pessoas vacinadas.

O laboratório de King, na Universidade de Washington, utiliza a inteligência artificial para prever como as proteínas se comportam e se dobram em formas específicas. O objetivo é, a partir dessa informação, produzir nanopartículas que imitam as características proteicas virais.

“Em última análise, acho que o design de proteínas computacionais, em combinação com tecnologias novas e antigas, vai nos permitir fazer vacinas muito mais seguras e eficazes”, diz.

A vacina da Universidade de Washington tem como alvo o domínio de ligação ao receptor, uma parte da proteína spike que se funde com as células do hospedeiro.

Os pesquisadores criam sinteticamente essas estruturas que, anexadas a nanopartículas esféricas, estimulam uma resposta imunológica no mínimo 10 vezes maior, comparada às substâncias que usam spike inteira em sua fabricação. Segundo King, é uma abordagem totalmente nova, que será útil para a neutralização de outros vírus, além do Sars-CoV-2.

Atualmente, o imunizante está na fase 1 de testes na Icosavax.

Abordagens avançadas

No Imperial College de Londres, a equipe chefiada por Robin Shattock aposta na segunda geração de uma tecnologia que já é inovadora, a das vacinas genéticas.

Antes da covid-19, nenhuma substância do tipo havia sido utilizada; as primeiras foram as da Pfizer/BioNTech e da Moderna.

A plataforma pesquisada por Shattock usa um código genético denominado RNA de auto-amplificação (saRNA), que treina o sistema imunológico no reconhecimento e na resposta às ameaças externas — nesse caso, o Sars-CoV-2.

Porém, há uma importante diferença em relação à abordagem de mRNA. Uma vez injetada no músculo, a mensagem genética faz cópias de si mesma (se auto-amplifica), gerando um número de “instrutores” bem maior.

Isso significa, diz o cientista, que ela pode produzir respostas imunológicas fortes e consistentes em uma dosagem muito menor que de outras vacinas baseadas em RNA.

O primeiro ensaio da substância foi publicado recentemente na plataforma de pré-impressão da The Lancet — quando o artigo ainda não foi revisado por outros cientistas que não fazem parte da pesquisa.

O estudo mostrou que a vacina de saRNA gerou resposta imunológica em 87% dos 192 participantes, mesmo em doses extremamente baixas.

“Agora, estamos refinando a plataforma para desenvolver vacinas para uma variedade de outras doenças infecciosas, além da covid-19”, diz Shattock.

Deu em Correio Braziliense

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista