Artigo 30/06/2021 16:54

A filosofia política de desconstrução do Ocidente – Artigo

James Burnham, filósofo norte-americano morto em 1987, autor de O Suicídio do Ocidente, discorre como Liberdade individual ou nacional, justiça e paz posicionam-se de forma variável de acordo com a ideologia.

James Burnham, filósofo norte-americano morto em 1987, autor de O Suicídio do Ocidente, discorre como Liberdade individual ou nacional, justiça e paz posicionam-se de forma variável de acordo com a ideologia.

Para os liberais as liberdades de opinião, associação, crença, econômica, livre arbítrio se conciliam com justiça pelo mérito, e com o bem-estar geral, pelo trabalho duro e oportunidades que são disponíveis.

São crenças do liberalismo o autogoverno, independência e soberania dos países, além do direito dos outros povos e nações serem independentes e se autogovernarem.

A discussão, a negociação e o voto democrático são as formas de resolver conflitos. A guerra pode substituir a paz se a liberdade nacional está em jogo. Vitorioso sob o ponto de vista das liberdades, da riqueza, do poderio político e militar, ileso após a derrocada econômica e política do Socialismo científico, que previa a autoimolação do capitalismo, fruto de suas contradições internas, que deviam gerar miséria e geraram, ao fim, bem estar para os trabalhadores, o Ocidente enfrenta novas formas de ataques.

Se o debate moderno que forjou o Ocidente girava em torno da liberdade, igualdade, razão, experimentação, justiça, paz, beleza e progresso, os filósofos do pós-modernismo dizem que verdade é um mito, razão uma construção eurocêntrica, liberdade um disfarce para a opressão, paz e progresso uma ilusão frente ao poder.

Os capitães contra o Ocidente já não são Marx ou Lênin, mas Horkheimer, Foucault, Derrida, Marcuse, Rorty, que com a elaboração de uma sofisticada psicologia social substituíram a lógica histórico-econômica do marxismo, derrotada pelos fatos, dando sobrevida ao socialismo.

Para eles, diz Stephan Hicks em Guerra Cultural, a história é feita de atores humanos e pela compreensão psicológica que eles têm de si e de sua existência.

Daí temas obsessivos como subjetivismo sociolinguística, racismo, sexismo e restrições igualitárias passarem a dominar a política.

Antes centrada na economia e no conflito de classes, a doutrina da esquerda embaralhou os valores, que dissociados da realidade, passaram a ser utilizados em nome de uma coletividade, passando a refletir grupos políticos ou sociais.

O Internacionalismo e o multiculturalismo pregam que política e espiritualmente as civilizações se equivalem e desdenham da singularidade da fé cristã e da ideia de civilização ocidental. Para a Esquerda, o conflito entre o individualismo e o princípio da justiça igualitária  só se resolve pelo controle governamental.

A liberdade individual versus controle governamental define em grande medida a disputa política moderna. Quando a visão de esquerda proclama um direito, diz James Burnham  “o que está sendo cogitado, raramente tem a ver com o termo; sempre se refere  a promover interesses de um grupo econômico, social, racial ou religioso que aquele que invoca a liberdade individual sente estar num status inferior ao merecido”. Franklin J. Goodnow, da Universidade de Colúmbia, diz que “a utilidade social e não o direito natural deve determinar a esfera da liberdade individual de ação”.

As ideologias do multiculturalismo e da política identitária viraram uma obsessão moderna, tendo as discussões sobre raça, gênero e cultura superado as discussões sobre economia ou bem comum.

No seu livro, também nomeado O Suicídio do Ocidente, John Goldberg diz que há décadas os melhores princípios do Ocidente estão sob ataque, com filósofos e intelectuais transformando virtudes em vícios. Mérito passou a ser racismo ou sexismo, família passou a ser sinônimo de opressão.

A liberdade de expressão é censurada e a linguagem é manipulada pelo politicamente correto, para que não ameace essa hegemonia ideológica.

Busca-se não apenas destruir toda riqueza da cultura ocidental tradicional, mas criar uma nova, centrada no multiculturalismo, no secularismo, no internacionalismo e na política identitária.

Observando o panorama, Jonah Goldberg reflete “a ferrugem da natureza humana está corroendo o milagre da civilização ocidental”.

Dr. Geraldo Ferreira – Presidente do Sinmed RN

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista