Terror 16/04/2021 10:04

‘A América perdeu’: enquanto EUA anunciam saída de tropas, Taleban canta vitória no Afeganistão

Dirigir para o território controlado pelo Taleban não demora muito.

Dirigir para o território controlado pelo Taleban não demora muito.

A cerca de 30 minutos da cidade de Mazar-e-Sharif, no norte do Afeganistão, passando por grandes crateras deixadas por bombas à beira da estrada, encontramos nosso anfitrião: Haji Hekmat, o responsável pelo grupo extremista no distrito de Balkh.

Perfumado e de turbante preto, ele é um veterano, tendo se juntado aos militantes na década de 1990, quando governavam a maior parte do país.

O Taleban organizou uma demonstração de força para nós. Alinhados de cada lado da rua vemos homens fortemente armados, um carregando um lançador de granadas, outro um fuzil de assalto M4 capturado das forças americanas. Balkh já foi uma das partes mais estáveis do país; agora se tornou uma das mais violentas.

Baryalai, um comandante militar local com uma reputação sangrenta, aponta para a estrada, “as forças do governo estão lá perto do mercado principal, mas não podem deixar suas bases. Este território pertence aos mujahideen”.

É um quadro semelhante em grande parte do Afeganistão: o governo controla as cidades e os vilarejos maiores, mas o Taleban permanece em seu entorno, com presença em grande parte do interior.

Os militantes afirmam sua autoridade por meio de postos de controle esporádicos ao longo de estradas importantes. Enquanto os membros do Taleban param e questionam os carros que passam, Aamir Sahib Ajmal, chefe local do serviço de inteligência do Taleban, nos diz que eles estão procurando pessoas ligadas ao governo.

“Vamos prendê-los e levá-los como prisioneiros”, diz ele. “Então, nós os entregamos aos nossos tribunais e eles decidem o que acontecerá a seguir.”

O Taleban diz acreditar que ganhou a guerra. Sentado diante de uma xícara de chá verde, Haji Hekmat proclama: “Vencemos a guerra e a América perdeu”. A decisão do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de adiar a retirada das forças americanas remanescentes para setembro, o que significa que permanecerão no país após o prazo final de 1º de maio acordado no ano passado, provocou uma forte reação da liderança política do Taleban. No entanto, o ímpeto parece estar com os militantes.

“Estamos prontos para tudo”, diz Haji Hekmat. “Estamos totalmente preparados para a paz e totalmente preparados para a jihad (guerra islâmica).” Sentado ao lado dele, um comandante militar acrescenta: “Jihad é um ato de adoração. Adoração é algo de que, por mais que você faça, você não se cansa”.

Deu na BBC

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista