Brasil 29/07/2020 05:55

Metade da população brasileira foi beneficiada pelo auxílio emergencial do Governo em junho

Pessoas mais pobres foram mais alcançadas com a ajuda criada para a pandemia, recebendo 75,2% das transferências, segundo o IBGE. Desemprego sobe, mas dinheiro circulando cresce

O número de domicílios beneficiados pelo auxílio emergencial cresceu no mês de junho.

A ajuda, que garante proteção social no período de enfrentamento da crise da pandemia da covid-19, chegou, no mês passado, a 29,4 milhões de lares brasileiros (43%), onde vive praticamente a metade (49,5%) da população brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira.

Na comparação com o mês de maio, houve um aumento de 3,1 milhões de lares beneficiados, em que pelo menos uma pessoa da família teve acesso ao principal programa assistencial durante a crise sanitária.

A população mais pobre foi mais beneficiada com o auxílio, recebendo 75,2% das transferências.

Nos Estados das regiões Norte e Nordeste, o percentual de domicílios beneficiados com auxílio emergencial ultrapassou os 45%.

No Amapá e no Maranhão, por exemplo, a proporção de beneficiados foi superior a 65%. Já em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a cobertura do programa não alcançou 30% dos domicílios, segundo dados da pesquisa.

Auxílio tem maior impacto entre os mais pobres

A pesquisa mostra que, em junho, o auxílio emergencial teve impacto maior sobre a parcela dos 10% da população com os menores rendimentos, o que equivale a cerca de 21 milhões de brasileiros que residem em domicílios com renda domiciliar de até 50,34 reais.

Dessa faixa, 17,7 milhões (83,5%) moram nos lares que receberam o benefício. Para esse contingente, a renda domiciliar per capita passou de 7,15 reais para 271,92 reais, um aumento de 3.705%.

Na segunda faixa de renda, o benefício contemplou 86,1%, o que corresponde a 18,2 milhões dos 21 milhões de pessoas que residiam nas casas onde pelo menos uma pessoa recebeu o auxílio.

O impacto do auxílio para esse grupo foi de uma alta de 150% —a renda domiciliar per capita passou de 150,88 reais para 377,22 reais—.

Para Cimar Azeredo, diretor-adjunto do IBGE, os dados divulgados revelam que o programa teve grande impacto sobre os rendimentos das pessoas mais vulneráveis, que na ausência do benefício viveriam com 354,18 reais ou menos.

“O auxílio emergencial atingiu cerca de 80% dos domicílios duas primeiras faixas de renda e cerca de três quartos dos domicílios da terceira faixa. Isso demonstra a importância do programa na renda domiciliar per capita dos domicílios dos estratos de renda mais baixos”, disse.

Nesta quinta-feira, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) propõe que 132 países de renda baixa e média garantam um pagamento básico por um tempo limitado para frear a pandemia.

Com um valor mínimo garantido, três bilhões de pessoas na pobreza no mundo não seriam obrigadas a sair de casa todo dia para ganhar o pão, e assim o vírus deixaria de se espalhar.

Deu em El País

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista