Ciência 06/07/2020 12:48

Cientista alertam que Coronavírus se propagada pelo ar em ambientes fechados

Por Ricardo Rosado de Holanda

Em carta aberta à Organização Mundial de Saúde, 239 cientistas de 32 países alertam que a transmissão aérea do novo coronavírus foi subestimada e pedem que a OMS revise recomendações para evitar o contágio de Covid-19.  

Em carta aberta à Organização Mundial de Saúde, 239 cientistas de 32 países alertam que a transmissão aérea do novo coronavírus foi subestimada e pedem que a OMS revise recomendações para evitar o contágio de Covid-19.

O estudo conduzido pelo grupo será publicado numa revista científica, de acordo com o jornal The New York Times.

De acordo com os cientistas, o vírus se move pelo ar em gotículas ainda menores do que as geradas por espirro ou tosse e, portanto, é capaz de alcançar distâncias maiores do que dois metros em ambientes fechados.

Essas gotículas são produzidas por uma simples conversa. Assim, deveriam ser adotados o uso permanente de máscaras nesses lugares, mesmo com o distanciamento social, e a adição de filtros mais eficazes em sistemas de ventilação de casas, escolas, empresas e lares para idosos e outros ambientes.

Em entrevista ao The New York Times, cientistas disseram que a OMS está fora de sintonia com a ciência e que, apesar das boas intenções, o comitê de prevenção e controle de infecções da agência está desatualizado em relação à transmissão aérea do vírus.

Para os especialistas ouvidos pelo jornal, a OMS deveria adotar o “princípio de precaução”. Ou seja, mesmo sem evidências conclusivas, a organização deveria assumir as piores possibilidades de transmissão do vírus e ter o bom senso de recomendar a melhor proteção possível.

“Não há provas incontestáveis ​​de que o SARS-CoV-2 viaja ou é transmitido significativamente por aerossóis, mas não há absolutamente nenhuma evidência de que isso não ocorra (em ambientes fechados)”, disse ao jornal Trish Greenhalg, médica da Universidade de Oxford.

Para o médico William Aldis, colaborador da OMS na Tailândia, a agência tende a descrever “a ausência de evidência como evidência de ausência”.

Em abril, por exemplo, a organização afirmou: “Atualmente, não há evidências de que as pessoas que se recuperaram da Covid-19 e que tenham anticorpos estejam protegidas de uma segunda infecção”.

A declaração, claro, provocou confusão e foi criticada por especialistas de Saúde e pela imprensa. Mais tarde, a OMS recuou e tentou explicar o comentário, mas o estrago já estava feito.

Outro exemplo de confusão: no início da pandemia, a agência afirmou que só profissionais da saúde deveriam usar máscaras, quando estivessem em pronto-socorros e hospitais, e que máscaras de pano não evitavam o contágio de Covid-19. Evitam.

E agora, segundo os cientistas que fizeram o estudo e assinam a carta, elas deveriam obrigatoriamente ser usadas em ambientes fechados, mesmo respeitado o distanciamento social.

Deu em O Antagonista

Ricardo Rosado de Holanda



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