Medicina 18/05/2020 10:50

Maioria dos policiais civis e militares brasileiros tem medo de contrair a Covid-19, diz pesquisa

Com o crescimento da disseminação do novo coronavírus no país, aumentou também a preocupação com os trabalhadores que atuam na “linha de frente” do combate à pandemia.

Com o crescimento da disseminação do novo coronavírus no país, aumentou também a preocupação com os trabalhadores que atuam na “linha de frente” do combate à pandemia.

Além dos funcionários da saúde, da imprensa e da limpeza pública, entre outros, há outro grande número de profissionais que se coloca em risco todos os dias:

os agentes da segurança pública. Para tentar compreender o impacto da COVID-19 sobre as polícias, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e a Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP) realizaram a pesquisa “A pandemia de Covid-19 e os policiais brasileiros”.

O survey online foi realizado com 1.540 profissionais da segurança pública, de todas áreas, entre os dias 15 de abril e 1º de maio de 2020.

O resultado indica que o medo é um sentimento comum para os policiais que atuam na linha de frente, uma vez sendo menos preponderante entre os profissionais paulistas na comparação com as outras unidades da federação.

Segundo os dados coletados, 59,7% dos policiais civis e militares no Estado de São Paulo sentem medo de contrair ou ter algum familiar contaminado pelo novo coronavírus, percentual significativamente menor do que entre os policiais de outros estados, que chega a 68,8%.

“A pesquisa mostra a vulnerabilidade dos nossos policiais na exposição cotidiana ao novo coronavírus durante o trabalho. Ela traz sinais claros da necessidade de os nossos chefes de polícia e governadores se preocupem ainda mais com a saúde do policial nesse momento de crise”, avalia Rafael Alcadipani, professor da FGV e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“Isso pode ser feito a partir da análise de como seu o trabalho de outras polícias do mundo e assim evitemos repetir os mesmos erros cometidos em outros lugares”.

Apesar de sentirem menos medo, os policiais de São Paulo, epicentro da doença até o momento, têm mais proximidade com o vírus do que nos outros estados: enquanto 55% dos agentes paulistas têm algum colega ou familiar com suspeita da doença ou que tenha sido infectado, apenas 40,8% responderam da mesma forma no resto do país.

A pesquisa também mostrou que mais da metade dos policiais não se sente pronto ou não soube responder se está preparado para atuar em meio à pandemia. Apesar de superior à média dos demais estados, apenas 39,2% dos policiais de São Paulo sentem-se preparados para trabalhar durante a crise do novo coronavírus. Nas demais unidades federativas, o número cai para 30,6%.Esses números podem ser explicados a partir de outro indicador do questionário.

Quase metade dos policiais civis e militares de São Paulo (46%) relata ter recebido Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados para exercerem o trabalho com segurança, uma média 43% superior à dos demais estados, que somam apenas 32,1%.

“Além desses materiais de proteção individual e coletiva, é importante que os profissionais da segurança pública sejam treinados de forma padronizada, a partir das diretrizes do Ministério da Saúde. Isso é imprescindível para que se sintam mais seguros no dia-a-dia”, explica Alcadipani.

Deu no Portal da FGV

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista