Artigo 20/04/2020 11:05

“Enfrentar o presente e planejar o futuro”

Os dias estão passando, a pandemia permanece, os números de óbitos aumentam e as empresas continuam sofrendo os fortíssimos efeitos da crise. O momento é difícil e não se vê, com clareza, o outro lado da margem para concluirmos a travessia.

Amaro Sales de Araújo, industrial, Presidente do Sistema FIERN e Secretário-Geral da CNI

Os dias estão passando, a pandemia permanece, os números de óbitos aumentam e as empresas continuam sofrendo os fortíssimos efeitos da crise. O momento é difícil e não se vê, com clareza, o outro lado da margem para concluirmos a travessia.

Certamente as medidas adotadas pelo Governo Federal estão sendo decisivas para minimizarmos o estrago econômico provocado pelo Covid-19. Ocorre que a crise é tão violenta que, mesmo com os esforços do Governo Federal, os efeitos negativos estão abatendo gravemente a economia nacional. Ademais, um dos efeitos imediatos da ausência do consumo é a baixa arrecadação de impostos. Ora, sem comércio, mesmo a indústria que está podendo trabalhar, diminui a produção e, consequentemente, o consumo de energia, de tráfego de veículos, de contratação de serviços, ou seja, toda a cadeia produtiva entrou em baixa velocidade e, obviamente, a arrecadação de taxas e impostos vai diminuir significativamente.

Espero, aliás, que a lição fique: sem produção e sem consumo, o Estado não arrecada. Se não arrecada, não tem meios para pagar seus compromissos com o funcionalismo público e com a prestação de serviços à população. Lição que fica: legisladores e burocratas pensem na sustentabilidade das empresas sempre que forem criar mais uma obrigação! As empresas precisam produzir com menos amarras e precisam ganhar dinheiro. O lucro lícito é legítimo!

Mas, voltando a pandemia, mesmo sendo leigo no assunto, me parece complexa uma solução de equilíbrio que contemple, de um lado, a luta contra a disseminação do coronavírus e, de outro, a possibilidade de reabertura dos negócios. O isolamento social tem sido, até o presente momento, a alternativa indicada pela maioria dos especialistas para conter a disseminação do Covid-19 e evitarmos o colapso total do sistema de saúde. E a medida também conta com o apoio da maioria da população, inclusive, de entidades de representação dos empreendedores. Mas, até quando conseguiremos ficar com o comércio fechado? E, o que me parece bastante razoável, o que já pode ser planejado para depois da pandemia?

Aproveitando o exemplo de uma guerra, existem frentes diversas cuidando do todo. Assim, além das frentes necessários de prevenção e combate ao coronavírus, precisamos ter um contingente de líderes e técnicos trabalhando a construção da restauração econômica a partir do fim do momento crítico da pandemia. E mais. É preciso que os Governos, de todos os níveis, conversem mais e planejem juntos. A cooperação mútua entre os Governos e a participação da sociedade poderá fazer o País superar o estrago da maior crise que, provavelmente, o Brasil já enfrentou em sua história.

Publicado dia 20 de abril de 2020 no jornal Agora RN.

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista