Artigo 05/03/2020 09:50

Os sonhos da privatização do aeroporto e a realidade

Por Ricardo Rosado de Holanda

A intenção do grupo argentino Inframérica em devolver a concessão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante coloca em cheque algumas coisas cantadas em verso e prosa nos últimos anos.

A intenção do grupo argentino Inframérica em devolver a concessão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante coloca em xeque algumas coisas cantadas em verso e prosa nos últimos anos.

Atolado em dívidas, uma operação muito cara e um pedido de ressarcimento à União de R$ 700 milhões de reais, é o final do grupo Inframérica na administração do aeroporto.

Aliás, se procede a informação de que quer receber 700 milhões de volta, será preciso investigar realmente se este dinheiro todo foi investido no Aeroporto.

É o fim de um sonho.

O primeiro questionamento é a intransigente defesa da privatização de espaços antes explorados pelo Poder Público. Privatizar é um caminho.

Mas privatizar para quem?

Este fato é tanto mais simbólico por ter sido o aeroporto Aluízio Alves o primeiro a ser privatizado no Brasil. Foi uma festa quando o martelo bateu no leilão. Parecia uma redenção do transporte aéreo brasileiro.

No rastro da privatização vieram muitas promessas, muitos neurônios gastos, muitas polêmicas.

Os acessos que não existiam ou existiam precariamente, a segurança dos usuários, os abusos nas cobranças em tudo na exploração do aeroporto.

O Poder público ainda fez muitos investimentos para ajudar a gestão da Inframérica.

Com o novo aeroporto e o novo modelo de gestão o RN iria ganhar um Hub da Latam, fazendo conexões de Natal com a Europa, Estados Unidos, África, América Latina e China.

Seria um movimento estrondoso de aviões de cargas e passageiros. Galpões seriam construídos e alugados ao redor do aeroporto, muito emprego e muita grana.

Depois veio a ideia de um Hub dos Correios, outro vetor de crescimento econômico e de viabilização do aeroporto.

Veio também a ideia de um ZPE na região.

Ideia é que não faltou.

Agora que o gestor quer devolver o aeroporto, também não se sabe mais se virão os hubs e as ZPEs.

E se o aeroporto vai virar mesmo um elefante branco.

Ricardo Rosado de Holanda



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