18/10/2019 10:58

Quase 6 milhões de pessoas saíram da classe média a partir de 2014

Pelos cálculos preliminares do economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV), entre 2014 e 2018, a nova classe média perdeu quase 6 milhões de pessoas, passando do pico de 56,8% da população brasileira para 53,9% nesse período. 

Pelos cálculos preliminares do economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV), entre 2014 e 2018, a nova classe média perdeu quase 6 milhões de pessoas, passando do pico de 56,8% da população brasileira para 53,9% nesse período.

Esses números têm como base as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad C) divulgada na quarta-feira (16/10).

A nova classe C se consolidou durante os governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva, sobretudo, em função do controle da inflação e do aumento real do salário mínimo.

Com o crescimento da economia, o desemprego chegou a cair a 4,9% em 2014, o menor patamar da história. Mas, as estripulias feitas por Dilma Rousseff na área econômica, porém, começaram a minar o bem-estar dessa nova classe média.

A alta da inflação foi corroendo o poder de compra dos trabalhadores e, aos poucos, o fantasma da pobreza voltou a assustar muitas delas.

Os dados do IBGE confirmaram o aumento da desigualdade e da concentração de renda, inclusive, uma queda no volume de beneficiários do programa Bolsa Família, que passou de 15,9%, em 2012, para 13,7%, no ano passado.

O órgão ainda apontou que as pessoas que vivem na pobreza, com renda mensal média de R$ 233, representam 12,2% da população do país. São 25,3 milhões de brasileiros. Em 2014, eles eram 9,8% da população, o menor índice da série.

A história mostra que não há outro caminho para a redução da pobreza que não seja o crescimento econômico sustentado. Sim, as políticas sociais, como o Bolsa Família, são importantes, mas é o emprego de qualidade que permite a ascensão social.

Os brasileiros mais pobres precisam de atenção especial, com uma boa educação. Infelizmente, não é o que se está vendo hoje.

O governo está perdido sem apontar uma solução para este problema. Pelos cálculos de Neri, da FGV, mesmo que o Brasil cresça, em média, 2,5% ao ano, só voltaremos a ostentar índices de pobreza semelhantes a 2014 em 2030. É tempo demais para um país tão desigual e injusto.

Deu no Correio Braziliense
Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista