Sem categoria 18/09/2017 09:47

Procurador diz que Janot queria derrubar Temer e impedir Dodge

O procurador Ângelo Goulart Villela, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo que o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, utilizou o órgão com o propósito de derrubar o presidente Temer e evitar a ascenção do grupo de oposição à sua gestão, que tem na procuradora Raquel Dodge, que toma posse nesta segunda como chefe do MPF, a maior expressão.

Deu no Portalnoar
O procurador Ângelo Goulart Villela, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo que o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, utilizou o órgão com o propósito de derrubar o presidente Temer e evitar a ascenção do grupo de oposição à sua gestão, que tem na procuradora Raquel Dodge, que toma posse nesta segunda como chefe do MPF, a maior expressão.
Ele também sugeriu que o Ministério Público se vale de táticas questionáveis para obter procedimentos de delação premiada. Villela ficou preso por 76 dias após ser acusado de receber mesada da JBS. Ele nega as acusações: “A desonra dói muito mais que o cárcere”.
No relato à Folha, o procurador afirma que Janot quis “usar uma flecha para obter duas vitórias. A gente sabia que Raquel seria a pessoa indicada. Eu fui tachado por Rodrigo como se tivesse me bandeado para o lado dela. Esse era um alvo da flecha. O outro era que, derrubando o presidente, e até o nome da operação era nesse sentido –Patmos, prenúncio do apocalipse–, ele impediria que Temer indicasse Raquel. Não tenho dúvida alguma que houve motivação para me atingir porque, assim, ele [Janot] lança uma cortina de fumaça, para mascarar essa celeridade de como foi conduzida, celebrada e homologada uma delação tão complexa, em tempo recorde”.
A Procuradoria Geral da República acusou Villela de utilizar seu posto para “fins espúrios”.
A ele foi atribuída a conduta de se aproximar da JBS de forma delituosa e obter vantagens financeiras. Uma das questões diz respeito ao vazamento de um áudio de uma reunião que o procurador gravou para pressionar integrantes da JBS ao acordo de delação. Indagado sobre a ética desse procedimento, Villela disse não haver nenhum problema.
“Até porque se nós começarmos a colocar uma lupa do padrão de conduta do Ministério Público, e da polícia como um todo, para obter colaboração premiada, nós temos de ter a seguinte ideia em mente: você está negociando com pessoas que cometeram crime. É um trabalho de negociação, de pressão, blefe e estratégia”.
Ele ainda diz saber de “coisas piores”. “Aliás, os fatos que estamos vendo atualmente no noticiário já até extrapolam o tipo de padrão que era do meu conhecimento. Não quero generalizar o MPF, mas estou falando da cúpula da PGR”.
Villela ainda levanta duas hipóteses sobre Rodrigo Janot saber sobre o que se passava com o ex-procurador Marcelo Miller, acusado de ser cooptado pela JBS no acordo de delação premiada.
“A primeira, que o Rodrigo tivesse conhecimento, talvez não tão profundo, da participação de Miller com os delatores. A segunda seria que Rodrigo não soubesse de nada, teria sido ludibriado. Mas não quero crer que o PGR fosse uma rainha da Inglaterra na condução dessa investigação. É evidente que ele tem assessores de extrema confiança e esperava que eles fizessem o “report”. Não acredito que o Miller teria feito tudo isso sem conhecimento, ainda que parcial, de pelo menos algum membro da equipe de Rodrigo.”
Ele ainda diz que seu caso é diferente do de Miller porque “no meu caso, não há sugestão de captação de voz nem direcionamento de delação nem orientação de o que fazer. Tampouco tive proximidade com delatores”.

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista