Sem categoria 10/08/2014 07:58

Estagiário com experiência*

Por fatorrrh_6w8z3t

Já disse que, em publicidade, a gente nunca para de aprender. De aprender e se surpreender. Embora eu seja uma ratazana com 22 anos de bueiro, ainda consigo esbugalhar os olhos diante do que leio. Vejam, meus caros, que pérola de proposta de emprego.
Em João Pessoa, a agência Trip Mídia está anunciando que está precisando de “estagiário de redação com experiência”.
Dediquei um tempinho acariciando essa bela proposta, tentando entender o que está por trás disso. Por trás disso e da própria filosofia, caráter e porte da agência.
Será que estão precisando de um estagiário que já tenha rodado por várias agências? Descartei. Com esse perfil, já deu provas de que não serve, pois teria sido aproveitado.
Mas… e se for? Será que a ideia é botar esse tal redator nos trilhos e ensinar o caminho das pedras? Certeza que não. Mas digamos que sim.
Fico imaginando como seria a apresentação desse “estagiário de redação com experiência” numa possível apresentação ao cliente: “Esse aqui é Norton Ferreira, nosso estagiário com 22 anos de experiência”. Ou: “Esse aqui é o nosso redator, Norton Ferreira, estagiário com 22 anos de experiência”.
Deprimente, caros amigos e amigas. É como querer tocar um restaurante sem um chef ou um bom cozinheiro. Você comeria num restaurante onde o cozinheiro está no estágio há 22 anos?
Ou que é um cozinheiro mas é um eterno estagiário? Pena que essas coisas o cliente não vê, não sabe da carniça que estão lhe oferendo. Por mais que você diga que esse texto seja em causa própria, não há como não concordar comigo.
O que a Trip Mídia gostaria de dizer, mas sabe que não obteria sucesso, é que está precisando de um bom redator mas o salário não é lá essas coisas, ganhos de estagiário e uma ajudinha no vale-transporte. A Trip quer fazer procissão sem aos menos acender uma vela.
Aposto que promete milagres a seus clientes.
Não se engane, esse enfado do cliente, aqui e alhures, boa parte da razão começa nas agências. Cliente e agência cochilam que é uma beleza, cada um do seu lado.
Como a agência não solta mais faíscas, com seus eternos “estagiários com experiência”, o cliente sabe que não será provocado. Daí todo mundo brochando e achando bom.
Pelo que vejo, inclusive em Pernambuco, a relação cliente-agência tornou-se um mal necessário. Em alguns casos, nem mais isso.
O cliente cortou o mal pela raiz.
Beijo no coração e um ótimo dia para os papais.
abs.
* Norton Ferreira.
84.9669.5022.

Ricardo Rosado de Holanda



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