Sem categoria 18/07/2014 07:24

Amaro Sales fala sobre a importância do Mais RN

Por fatorrrh_6w8z3t

acb20d5b67c7fa08e225a6e33a311a6fDeu no Portalnoar
Por Virgínia França
Foto: Wellington Rocha
Com uma iniciativa pioneira, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) lança nesta sexta-feira (18) o projeto Mais RN.
Uma parceria entre a indústria potiguar e o Governo do Estado, o projeto desenvolvido pela Macroplan traça plano estratégico para o desenvolvimento econômico, expondo as potencialidades de investimentos no estado até 2035.
O presidente da Federação, Amaro Sales afirmou que o Mais RN servirá como norte para que investidores do estado e fora dele possam se instalar no Rio Grande do Norte.
Como diferenciais, Sales apontou o envolvimento da sociedade opinar sobre o projeto e lembrou que o próximo governante terá “uma economia de tempo e de dinheiro, o Mais RN vai apresentar uma radiografia que é o Rio Grande do Norte”, reforçou.
Sobre o diagnóstico da real situação econômica e industrial do estado, o presidente da Fiern brincou, “se eu fosse médico, eu diria que o paciente escapa e escapa muito bem”, mas reforçou que o Mais RN não será o “salvador da pátria” e precisa do apoio tanto dos gestores públicos como da sociedade.
Além de falar sobre o Mais RN, na entrevista exclusiva ao portalnoar.com, Amaro Sales comentou sobre as principais dificuldades para o desenvolvimento industrial do Estado, dos incentivos fiscais e outros temas.
Confira a entrevista na íntegra:
Como o senhor avalia o resultado do Mais RN?
Teremos amanhã um momento importante na vida do Rio Grande do Norte. O Sistema Fiern, junto com um grupo de 12 empresas, junto com o Governo do Estado, estará entregando à comunidade potiguar um projeto pensando 20 anos na frente. Na hora que você faz um projeto com 20 anos na frente, você está pensando como futuro, está pensando em uma política de desenvolvimento. Faz muitos anos que o Estado não fala em planejamento. Esse projeto traz, entre seus grandes diferenciais, a comunidade, a sociedade que pode participar desse projeto, qualquer pessoa vai poder comentar o projeto, opinar, interagir, acrescentar. Muitas vezes fica-se colocando a culpa no Governo, nas instituições, é a oportunidade da comunidade dar a sua colaboração. Foram ouvidos a Universidade, os órgãos públicos que puderam dar a contribuição. Esse trabalho está recheado de muitas informações, de projetos que foram trabalhados a 10, 15 anos atrás.
O projeto vai trazer para o futuro governante do Rio Grande do Norte uma economia de tempo e de dinheiro, vai apresentar uma radiografia que é o Rio Grande do Norte hoje, para onde ele pode ir. Claro que tem que ser feito o detalhamento dos projetos, porque não está nada pronto e precisa ser feito um alerta à comunidade, esse projeto não será o salvador da pátria, esse projeto é uma bússola onde você tem um encaminhamento, tem uma estratégia.
Quais os setores econômicos que merecem destaque?
Hoje a economia do estado é bastante diversificada, tem uma grande vantagem, porque quando um determinado setor não vai bem, outro se sobressai. Mas a menina dos olhos do Rio Grande do Norte a nível de investimentos são as energias renováveis, que têm investimentos para mais de R$ 20 bilhões no presente e futuro em energia eólica e solar. Esse é o setor que cresce a cada dia, o RN passou de ser mero consumidor e passou a ser exportador de energia, isso vai acontecer e isso é crescente. Temos dado uma contribuição para essa possível crise de energia, o estado minimizou essa crise.
O RN tem entre as suas matrizes o turismo, que deu um salto de informação com a Copa do Mundo. A Copa do Mundo trouxe três bilhões de pessoas que viram o Rio Grande do Norte, foram só quatros jogos, mas teve as matérias passadas antes e depois, a visibilidade da cidade de Natal. Tudo conspirou para que Natal pudesse ser vista pelo mundo, que não teve nenhum acontecimento fora do padrão, 80% dos turistas afirmaram que voltariam a Natal. O turismo é uma indústria silenciosa, que não tem chaminé, mas faz parte da nossa economia, seja na área de evento, religioso, gastronômico e tem uma enormidade de pessoas que trabalham nesse setor. O RN tem uma oportunidade, nesse projeto, ele já se desenha como um bom alavancador de negócios.Temos também os setores de confecção, têxtil, agronegócio, pesca oceânica, carcinicultura todos são importantes na economia do estado.
De que forma o turismo do RN pode ser ajudado pelo Mais RN para ser uma indústria de destaque?
Precisa ser traçado uma politica governamental que vai trabalhar as instituições, as empresas, os empresários. O turismo não acontece só com uma pessoa, a cadeia que ele transita tem reflexo na indústria, 40% do que é gerado pelo turismo vai para indústria, tem a indústria de alimentos, de bebidas, de construção civil, tem um encadeamento oportuno quando esse turismo acontece.
Estamos em período eleitoral. Qual é o papel do Governo agora após o Mais RN?
A Fiern vai entregar aos candidatos ao Governo o Mais RN, essa contribuição. Claro que se esse o governante quiser aproveitar esse projeto, ele vai economizar tempo e dinheiro para que a gente possa ter um Rio Grande do Norte melhor.
Uma das agendas do Mais RN trata da infraestrutura. Qual a real situação da infraestrutura do RN?
O Rio Grande do Norte tem na sua infraestrutura alguns gargalos. Tem o gargalo do Porto de Natal que não atende ainda dentro da sua plenitude. Existe um segundo porto a ser criado, possivelmente em Porto do Mangue. Temos a BR-304 que precisa ser construída para melhorar a questão dos acessos, tem a parte de ferrovias que não temos praticamente nada, que isso possa ser melhorado. Tem o aeroporto que poderá ser melhorado na interligação dele com o resto do Brasil e com o mundo. No primeiro mês de operação teve mais de dois mil voos, é um número bom, mas que pode ser duplicado, triplicado, contudo que se crie um ambiente para esse crescimento.
A redução do QAV poderia melhorar esses números?
Nós produzimos o QAV. Poderia fazer um acordo com Petrobras, Governo do Estado para que cada um pudesse dar contribuição. A Petrobras está instalada no estado. O Governo do Estado poderia fazer uma concessão, fazer uma participação junto a Inframérica para que possa ser feito essa oportunidade de entrada e saída de pessoas e cargas.
Outra agenda é sobre o capital humano. Temos trabalhadores qualificados e como qualificá-los?
Nenhum povo, nenhum estado, nenhum país, muda se não tiver investimento em capital humano. Se as pessoas não quiserem mudar, se não tiver esse investimento, não vai mudar nada. Precisa dar um enfoque no Ensino Fundamental, no Ensino Médio, o Ensino Superior precisa ser melhorado. A base jovem desse ensino superior precisa ser investida, em jovens de 20 a 25 anos, que são a população ativa. A gente precisa sair do número de 22% que são os investimentos feitos em cima desse ensino superior para 90%, melhorar as universidades. Isso não se muda em dois anos, três anos, estamos contando uma história para 20 anos.
O sistema Fiern tem investido a cada ano, tem duas escolas para serem inauguradas na área de qualificação profissional, uma na Zona Norte e outra na Zona Sul, acredito que até o final do ano a gente tenha essas escolas funcionando e a medida que vá acontecendo, o sistema Fiern vai estar investindo nessa qualificação profissional.
Com o Mais RN, o RN pode despontar como um estado com destaque econômico?
Pode. Você já imaginou o seu estado ser o maior produtor de energia renovável do Brasil? Está para acontecer isso. O Rio Grande do Norte é o maior produtor de sal mineral do Brasil e um dos maiores do mundo; o RN já teve a maior produção de petróleo em terra; o RN tem a maior produção de melão; o RN tem a maior produção de pesca oceânica de atum; já foi o maior em produção de camarão. Então, você vê seu estado produzindo, um produto que você sabe que é do seu estado, precisa que as pessoas tenham um entendimento que nós temos condições de produzir, de fazer.
Quais os principais entraves para o desenvolvimento industrial do RN?
Eu diria que traçar as politicas públicas direcionadas, o gasto público do estado ainda é alto e precisa ser trabalhado, e isso não se trabalha em um mandato. A questão da educação também é um gargalo, temos uma das educações que se gasta mais dinheiro no Nordeste e quando avaliada é uma das piores. As questões de logísticas também. Temos que modernizar a gestão pública, o gestor tem que ter um olhar empreendedor, ter um entendimento que o Rio Grande do Norte precisa mudar e não é só o governador que vai assumir, são os secretários, suas equipes, porque se ficar no feijão com arroz a gente não sai do canto.
O que o Mais RN sugeriu sobre o destino do Aeroporto Augusto Severo?
A consultoria da Macroplan não foi contratada para fazer o estudo do aeroporto, ela se comprometeu conosco de dar uma contribuição e dar uma participação até, para que pudesse dar um norte, dar um guia. Teve uma reunião do comandante, Aeronáutica, alguns empresários, Sebrae, Fecomércio, para que pudesse dar um novo destino, isso não é tão rápido. Tem vários modelos já desenhados pelas pessoas, mas nada melhor do que uma orientação técnica.
Como o projeto pode impulsionar a economia do estado?
Esse projeto tem as fases, primeiro foi feito o diagnóstico, depois o mapeamento, depois os fóruns regionais. É como se tivesse fazendo exames e agora vamos receber o diagnóstico. Feito esse diagnóstico, tem que ser feito o dever de casa por parte dos governantes.
O nosso diagnóstico está muito ruim?
Não, se eu fosse médico, eu diria que o paciente escapa e escapa muito bem. O Rio Grande do Norte até cinco anos atrás era um estado reconhecido por sua baixa criminalidade, e esse número cresceu a ponto de prejudicar essa estatística. Então, nós precisamos, dentro das estatísticas que temos melhorar esses números e eu acredito que o estado tem, com certeza com esse estudo, melhorar sua performance na economia do Nordeste.
Quais serão os próximos passos após a apresentação do Mais RN?
Começar a segunda parte, começar o detalhamento de alguns projetos. Nesse momento, estou preocupado nos recursos que eu possa capitanear para custear essa segunda fase.
Qual sua análise do RN antes e depois do Mais RN?
Eu acredito que o Rio Grande do Norte ganha no planejar, ganha no futuro e claro, não tem nenhuma receita salvadora. O Rio Grande do Norte traz o Mais RN como um grande indicativo para melhorar o estado.
Que incentivos são necessário para estimular desde o pequeno ao grande empreendedor?
O empresário só se estabelece numa região, no estado, quando tem incentivo. Não é só incentivo fiscal como se fala muito, ele precisa de infraestrutura, água, luz, telefone, acesso, banco de dados, já é um ponto de partida. Preciso de mão de obra qualificada, bato a porta do Senai, preciso do incentivo fiscal, o Governo do Estado que tem que dar. O Governo do Estado que traz essas oportunidades de forma incentivada, fica muito mais fácil. O Rio Grande do Norte com esse portal do Mais RN, que a gente pode divulgar em um futuro mais próximo todas as oportunidades mapeadas por região, por setor, para que investidores possam vim para cá.
Sobre incentivo fiscal, o modelo atual do Proadi é satisfatório?
O modelo do Proadi é um dos melhores do Brasil, mas ele precisa ser mais incentivado, ser melhorado. Hoje o empresário recebe o incentivo fiscal do estado, em que no período de dez anos precise fazer mais investimentos para que ele seja renovado e depois de 20 anos não pode fazer a concessão, isso está errado. Porque do princípio que eu produzo, que gero riqueza, renda, eu tenho dez anos, depois mais dez anos, eu tenho que ter o resto de vida da empresa. O Rio Grande do Norte é o estado com menor renúncia fiscal do Brasil, é lanterna em incentivo fiscal, o Estado abre mão de uma contribuição de cerca de R$ 20 milhões para uma oportunidade de mais de 32 mil empregos, o RN gasta menos que um salário mínimo por emprego de incentivo fiscal para manter essas pessoas na indústria. Tem uma Ford se instalando na Bahia, a Fiat se instalando em Pernambuco, precisamos incentivar essas pessoas, precisamos do incentivo fiscal, precisamos gerar emprego. O Estado precisa para o micro, pequeno, médio e grande empresário é ter um programa de atração para que ele fique aqui no Estado e reforçar o que já tem feito aos empresários que estão estabelecidos.
Qual a sua avaliação sobre os distritos industriais?
Precisa ser feito alguma coisa. Vários empresários estão reclamando sobre os distritos industriais. Eu sou contra a criação de novos distritos sem a estruturação dos já existentes, que não se gasta muito.
Como o senhor vê a interiorização das indústrias?
Esse é um grande programa que vai trazer a presença do micro e pequeno empresário que trabalha na área de têxtil e confecção a oportunidade de gerar renda, emprego e riqueza em regiões que muitas vezes sem condições de ser atingidas por estarem tão distantes.
Como o senhor imagina o Rio Grande do Norte daqui a 20, 25 anos?
Sem o Mais RN eu não vejo nada. Eu vejo que daqui a 20 anos o Rio Grande do Norte vai estar melhor e eu quero estar vivo para vê. Precisa que as pessoas façam o dever de casa e eu tenho certeza que a instituição que eu dirijo, ela vai estar fazendo o seu dever de casa.

Ricardo Rosado de Holanda



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