Sem categoria 28/02/2014 10:19

Dosinho, o mestre do carnaval, está em coma

Por fatorrrh_6w8z3t

Deu no Portalnoar
Por Sérgio Vilar
Em plena abertura de carnaval, o principal compositor de marchinhas carnavalescas está em coma após uma infecção generalizada, segundo informações da pesquisadora Leide Câmara. “Médicos informaram à família que só um milagre salva Dosinho”, lamentou Leide Câmara.
Além das marchinhas e frevos-canções para tantos carnavais, Dosinho também é compositor de hinos dos principais clubes de futebol do Rio Grande do Norte.
Há cinco anos, ele foi homenageado pela Prefeitura de Natal, no carnaval daquele ano, ainda na primeira gestão do prefeito Carlos Eduardo Alves.
Cladomiro Batista de Oliveira, o Dosinho, nasceu no município potiguar de Augusto Severo, em 24 de dezembro de 1927. Dosinho se encontra internado na Promater, em estado de coma e tem hoje 87 anos.
Segue a abertura da entrevista que ele concedeu a este jornalista há cinco anos, para a revista Brouhaha, patrocinada pela Fundação Capitania das Artes (Funcarte):
“Dôsinho, Dozinho, Dosinho. Nosso Capiba potiguar prefere Dosinho, simplesmente. Mas as três alcunhas estampam vinis que nem ele sabe ao certo quantos são.
Uma participação aqui, um álbum inteiro ali e Dosinho construiu um catálogo de frevos-canções e marchinhas com alma de beco, de Carnaval de salão, de alegria solta e inocente. É que as marchinhas se revestem dessa magia que remete aos tempos da máscara e do lança-perfume, das chacotas inocentes.
Que o diga o Zezé. Será que ele é?
Dosinho também é carnavalesco de vanguarda, mesmo aos 82 anos.
Se uma ‘‘galera’’ faz Carnaval com o dinheiro público, Dosinho escreve marchinhas dos fatos do tempo-hoje.
E o Carnaval tem mesmo esse poder de jogar decepções para o alto. Bin Laden também não escapou dos frevos de Dosinho e caiu na boca do povo, nos carnavais de Olinda. É que Dosinho ainda espera maior reconhecimento nesta terra que insiste em ver a banda passar sem olhar para seu umbigo.
Ainda assim, o carnavalesco reverencia em sua música a Natal do amigo Cascudo; a Natal dos blocos Bacurinhas, Jardim de Infância, Lords, a desfilar pela Avenida Deodoro. Época em que os assaltos pertenciam ao período momesco, com a ‘‘invasão’’ às casas alheias e confraternização carnavalesca: verdadeiros bailes improvisados.
Dosinho é esse retrato vivo do frevo, de um capítulo dedicado aos carnavais da Natal antiga.
Dosinho é essa cara de Brasil, de frevo, Carnaval e futebol, que segue a compor sua história, em texto sem prestígio na Natal dos axés e carnatais.
Se a canção de Capiba ‘Madeira que capim não rói’ é tocada como hino em Recife por reverenciar pessoas e recantos da capital pernambucana, a linda marcha ‘Tributo a Natal’, de Dosinho, nunca figurou em qualquer rádio potiguar. O prestígio do carnavalesco potiguar é maior em Recife.
‘‘O pernambucano não acredita que componho como eles sendo de Natal’’, se orgulha.
De fato. Dosinho foi parceiro de Capiba, foi gravado por Alceu Valença, Antônio Nóbrega e outros grandes do carnaval ou do frevo pernambucano”.

Ricardo Rosado de Holanda



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