Sem categoria 09/12/2013 05:35

PT quer rever o capitalismo e a propriedade privada no Brasil

Por fatorrrh_6w8z3t

Deu em Josias de Souza
O PT divulgou na internet o documento que vai orientar os debates do seu 5º Congresso, nesta semana, de quinta-feira a sábado.
O texto tem 24 páginas. A certa altura, o PT se penitencia por ter negligenciado seus ideais socialistas. E prega a luta por “um projeto pós-capitalista” para o Brasil.
Num exercício de autocrítica, o PT constata: “Acossados pelas tarefas de governo e pelas vicissitudes da luta política, não fomos capazes de inserir as transformações que realizamos em uma estratégia de longo prazo, que pudesse apontar para uma efetiva renovação do socialismo no século 21.”
A menção a um socialismo do século 21 evoca a imagem de Hugo Chávez, o presidente morto da Venezuela. E imprime no texto a ser debatido no congresso do PT a caligrafia de Marco Aurélio Garcia, assessor internacional da Presidência da República desde o governo Lula.
No item 78 do documento, o PT oferece uma ideia do “projeto pós-capitalista” que deseja implementar no Brasil.
Num instante em que Dilma Rousseff se esforça para superar a desconfiança do empresariado em relação ao governo, seu partido fala em discutir a propriedade privada e o modelo econômico. E anuncia a pretensão de levar democracia às fábricas e aos escritórios.
“A agenda é vasta e complexa”, anota o documento do PT. “Envolve a discussão de formas de propriedade e de organização da economia, inclusive a democratização do espaço fabril e de todos os locais de trabalho. Envolve, também, a democratização e socialização da política, mudanças radicais na esfera da cultura e no cotidiano…”
Alguns parágrafos antes, no item 59 do documento, o PT incluiu entre os seus “desafios programaticos” um sonho antigo: “A socialização dos bens culturais”. Algo que pressupõe: “combater os monopólios da ‘indústria cultural’ e regular os meios de comunicação, sem que isso implique em qualquer forma de censura ou controle de conteúdos.”
No tópico de número 66, o PT insinua a intenção de apertar o cabresto dos seus filiados com responsabilidades executivas e legislativas. Sem excluir Dilma, o texto realça: “Governantes e parlamentares do PT, pressionados por seus afazeres institucionais, ganharam exagerada autonomia em relação à atividade partidária.”
O texto sustenta que essa autonomia exacerbada contribuiu “para certa burocratização do partido e conseqüente perda de importância de suas direções junto aos governos.” Em timbre de lamúria, o documento acrescenta:
“Perdemos capacidade de análise das conjunturas e das perspectivas de médio e longo prazos de evolução do país e do mundo. O PT deixou de ser aquele ‘intelectual coletivo’ que se espera deva ser um partido de esquerda. Afastou-se do socialismo, não por negá-lo, mas por ser incapaz de pensá-lo de forma criativa.”
No terço final do documento, o PT discorre sobre “o momento atual e seus desafios.” Anota que o congresso partidário ocorre sob “conjuntura política excepcional, marcada pelo renascimento de manifestações sociais, como as ocorridas em junho”. Reconhece que as respostas do governo e do partido ao ronco das ruas terá “influência sobre as eleições de 2014.”
Conciliando-se com o óbvio, o documento do PT admite no seu item 81: “Parte da sociedade, inclusive aquela beneficiária das transformações dos últimos anos, está insatisfeita com o ritmo – que considera lento – das mudanças e não vê alternativas para suas demandas nos políticos e nas instituições atuais.”
Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostrou que 66% dos eleitores brasileiros cultivam o desejo de mudança. A despeito disso, o PT se escora em autocritérios para concluir: “É fundamental mostrar claramente o que está em jogo no atual momento: a continuidade, o aprofundamento e inclusive a correção do que foi até agora conquistado.”
Para o partido, os adversários ajudam Dilma a se apresentar como a mudança de si mesma: “As oposições não apresentam um projeto alternativo.” Nesse contexto, diz o documento, “o PT e o governo nada têm a temer, salvo sua omissão e paralisia.”

Ricardo Rosado de Holanda



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