Sem categoria 02/06/2013 10:33

Entrevista com Garibaldi Alves Filho 2

Por fatorrrh_6w8z3t

Folha/UOL: Não está no horizonte do governo da presidente Dilma nos próximos menos de dois anos, agora, fazer uma reforma da previdência. O sr. acha?
Garibaldi Alves Filho: Acredito que não porque…
Folha/UOL: Nem fator previdenciário vai ser atacado nesse período então?
Garibaldi Alves Filho: Não.
Folha/UOL: E o governo subsequente?
Garibaldi Alves Filho: Eu acredito que não pelas dificuldades políticas que nós encontraríamos para fazer prevalecer esses nossos pontos de vista
Folha/UOL: Entendi. Ou seja, uma reforma da previdência que discuta o fator previdenciário, se vai manter ou não, ficaria para um próximo período administrativo, a partir de 2015?
Garibaldi Alves Filho: Acredito que sim. Nós teríamos no começo do governo, e eu espero que seja da presidenteaDilma, um ambiente mais favorável para discutir essas propostas.
Folha/UOL: O sr. está confiante que a presidente Dilma vai ser reeleita em 2014?
Garibaldi Alves Filho: Olha, eu acredito. Porque, de acordo com a minha experiência… Eu não sou um marinheiro de primeira viagem porque eu já ganhei várias eleições e só perdi uma. E quando eu perdi uma, perdi porque, justamente disseram – era uma eleição de governador – que eu era um governador de férias. Isso deu um azar danado. Mas a presidente leva uma grande vantagem, que ela tem hoje nas pesquisas uma aprovação muito grande. E a aprovação, na medida em que reverte para o dividendo eleitoral, se torna um fator muito importante.
Folha/UOL: O sr. acha que já está certo, como ela própria disse, que a aliança com o seu partido, o PMDB, para reeditar a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer como candidato a vice – ele é o atual vice-presidente – já está certa?
Garibaldi Alves Filho: Eu acho que sim. Eu acho que é um fato consumado porque, em todas as reuniões que nós temos participado da base do PMDB – pelo menos em termos do PMDB – com a presidente, ela tem reiterado que a chapa é essa.
Folha/UOL: Mas há gente que ouve que em vários estados o seu partido não anda muito bem relacionado com o PT, terá dificuldades nos Estados para reeditar essa aliança. Em que nível estão essas desavenças e até que ponto elas podem prejudicar a reedição da aliança no nível nacional?
Garibaldi Alves Filho: Olhe, isso, se fosse uma novidade, é uma coisa recorrente. Não temos dúvidas de que isso não vai ser acabado do dia para a noite, essa falta de sintonia de um cenário nacional com o estadual. Eu não acredito em um palanque só. Por mais que seja, vamos dizer, o ideal. Mas o ideal nem sempre…
Folha/UOL: Essas desavenças estaduais são mais por causa do PMDB, ou mais por conta do PT, ou por causa dos dois?
Garibaldi Alves Filho: Por conta dos dois, não é?
Folha/UOL: É?
Garibaldi Alves Filho: É. Porque, em todos os dois, o problema local sempre prevalece. Eu acredito… Até o partido vai me perdoar, mas eu tenho fazer essa autocrítica, mas é até reconhecendo que o PMDB, claro, tem, em alguns Estados, a possibilidade maior de apresentar candidato próprio de que o PT. Eu não sei se o PT vai me contestar porque eu não tenho uma estatística nacional, mas pelo menos levando em conta a realidade da minha região, que é a região nordeste, eu acho que sim.
Folha/UOL: O sr. já foi presidente do Senado, é um político de larga experiência aqui em Brasília. Porque, nos últimos tempos, a presidente Dilma Rousseff, que é uma administradora muito bem avaliada pela população, tem uma base de apoio ampla no Congresso, sofre tantas dificuldades para aprovar algumas medidas provisórias ou leis no Congresso?
Garibaldi Alves Filho: Olha, eu acho que falta uma maior aproximação da própria presidente com a sua base em torno dos projetos que são levados à apreciação do Congresso.
Folha/UOL: Como é que é essa aproximação? Ela não gosta de se aproximar?
Garibaldi Alves Filho: Não. Eu não digo que ela não gosta. É porque ela se dedica tanto às tarefas administrativas, ela é tão focada na gestão que ela poderia dar um tempo maior –veja que eu estou dando sugestões para a chefe – para os contatos de natureza política visando essa realidade que existe no Congresso.
Folha/UOL: Mas ela não poderia delegar um pouco essa missão para alguns ministros ou líderes?
Garibaldi Alves Filho: Mas tem horas que quem quer vai. Quem não quer manda. É um ditado popular, não se se é corrente aqui [risos]. Lá na minha região é. Tem horas que só a presidente, só a governante mesmo. Eu não digo que ela ficasse constantemente submetida à pauta do Congresso. Mas há momentos que se faz necessário, no meu ponto de vista.
Folha/UOL: O sr. acha que ela já percebeu isso? Porque ela já está há mais de dois anos na cadeira de presidente.
Garibaldi Alves Filho: Olha, acredito que ela percebeu, mas os desafios da gestão, da administração, são tão grandes que, acredito, está faltando um certo tempo, na minha visão.
Folha/UOL: Mas faltou tempo até agora, vai continuar a faltar. Nada vai mudar.
Garibaldi Alves Filho: Olha, eu não sei, porque aqui ou acolá você vê que as dificuldades estão se apresentando então pode ser que ela consiga desprender tempo maior com essas articulações. O governo tem os articuladores. A Ideli Salvatti, que foi minha colega no Senado, e os líderes no Congresso se esforçam, mas eu diria, se fosse eu… Eu estou dando aqui uma opinião, você é que está me colocando nessa situação difícil, nesse canto de parede. Mas eu diria, se fosse chamado, que aqui e acolá a presidente pudesse entrar para, realmente, dar o tom das conversas.
Folha/UOL: Ela precisaria entrar mais no trabalho da articulação política pessoalmente?
Garibaldi Alves Filho: Pessoalmente.
Folha/UOL: Entendi. Ministro Garibaldi Alves Filho, senador pelo PMDB do Rio Grande do Norte, muito obrigado por sua entrevista à Folha de S.Paulo e ao UOL.
Garibaldi Alves Filho: Eu que lhe agradeço, Fernando Rodrigues. E fiquei satisfeito por poder falar sobre tudo da previdência porque se faz necessário que a previdência ocupe maiores espaços no que toca a conscientização da sua situação e da necessidade que nós temos de mudá-la para melhor.
Folha/UOL: Muito obrigado.
Garibaldi Alves Filho: Eu é que agradeço.

Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista