Meio Ambiente 17/06/2026 11:32
11 cidades brasileiras estão entre as mais ameaçadas do mundo por calor extremo, aponta Oxford

Um estudo da Universidade de Oxford colocou 11 cidades brasileiras entre os centros urbanos mais vulneráveis do mundo às ondas de calor. A lista inclui Manaus, Goiânia, Belo Horizonte, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.
Entre elas, Manaus aparece como a cidade brasileira mais ameaçada, na 27ª posição do ranking global e em terceiro lugar entre as cidades da América Latina e do Caribe. Na sequência, aparecem Goiânia, em 46º lugar; Belo Horizonte, em 66º; Fortaleza, em 67º; São Paulo, em 77º; Rio de Janeiro, em 83º; Brasília, em 88º; Recife, em 89º; Salvador, em 93º; Curitiba, em 119º; e Porto Alegre, em 120º.
A pesquisa, publicada na revista Sustainable Cities and Society, analisou 205 cidades com mais de um milhão de habitantes.
O levantamento avaliou não apenas a exposição a altas temperaturas, mas também as condições sociais e econômicas que ampliam o risco para a população.
O estudo mostra que o perigo do calor extremo não depende apenas dos termômetros. Ele cresce quando se combina com pobreza, infraestrutura precária, pouca arborização, dificuldade de acesso à energia elétrica e maior presença de crianças pequenas e idosos.
No ranking global, a cidade mais ameaçada é Basra, no Iraque. A lista é dominada por centros urbanos da Índia, Paquistão, Nigéria e Gana. Segundo o estudo, mais de 95% das cidades mais expostas ficam no sul e sudeste da Ásia e na África Subsaariana.
Na América Latina e no Caribe, Barranquilla, na Colômbia, aparece como a cidade mais vulnerável da região, na 11ª posição mundial. Manaus ocupa o terceiro lugar regional.
A pesquisa aponta que a vulnerabilidade urbana ao calor é agravada pela desigualdade. Em muitas capitais latino-americanas, bairros ricos concentram mais áreas verdes, enquanto periferias seguem marcadas por asfalto, concreto e pouca sombra. Essa diferença, segundo a organização Periodistas por el Planeta, transforma a segregação urbana em maior risco de adoecimento e morte para a população mais pobre.
Outro fator é o custo da energia. Mesmo quando famílias conseguem comprar ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado, muitas não têm condições de pagar pelo uso diário desses equipamentos durante períodos de calor extremo.
O estudo também alerta para o envelhecimento da população nas grandes cidades e para a falta de estrutura hospitalar e habitacional preparada para enfrentar choques térmicos cada vez mais frequentes.
Para os pesquisadores, as respostas não podem se limitar a modelos caros de “cidades inteligentes” importados do Norte Global. Na América Latina, a adaptação precisa incluir alertas precoces, reforço das redes elétricas, expansão da arborização nas periferias e construções pensadas para reduzir o calor naturalmente.
O levantamento cita experiências positivas na região, como ônibus e táxis elétricos em Bogotá, o sistema integrado de transporte de Medellín, avanços de mobilidade em Santiago e Buenos Aires, normas para edifícios verdes na Cidade do México e digitalização de serviços públicos em Montevidéu.
Com a população urbana em crescimento, Oxford defende que governos locais tratem a adaptação climática como prioridade. O objetivo é evitar que as ondas de calor aprofundem desigualdades já existentes e atinjam com mais força justamente quem tem menos condições de se proteger.
Deu em Revista Fórum

Descrição Jornalista
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