Economia 03/04/2025 09:59
Queridinho dos EUA? Brasil sai ‘ganhando’ em taxas americanas; o que esperar do Ibovespa nesta quinta (03)
Dos males, o menor. Ontem, Donald Trump anunciou as tarifas recíprocas que os Estados Unidos passam a cobrar sobre importados a partir da semana que vem e o Brasil foi um dos “privilegiados”.
Os produtos brasileiros serão taxados em 10%, a partir do sábado (5), juntos com outros países, como Reino Unido, Colômbia, Chile e Emirados Árabes.
Vale lembrar que os produtos mais vendidos aos EUA são petróleo bruto, minerais betuminosos crus, produtos semi-acabados, ferro e aço na forma de matéria-prima e peças de aeronaves.
Segundo dados do governo norte-americano, o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024 foi de US$ 7 bilhões, considerando somente em bens.
Quando somados bens e serviços, o superávit totalizou US$ 28,6 bilhões — terceiro maior superávit comercial dos EUA em todo o mundo.
A notícia não é boa, mas poderia ser pior. As taxas impostas chegam a quase 50%. Caso do Camboja (49%), Laos (48%) e Madagascar (47%). A China será taxada em 34%, enquanto a União Europeia ficou com 20%. Essas taxas mais altas começam a valer na próxima quarta-feira (9).
As tarifas recíprocas impostas pelos EUA é, em torno de, metade da alíquota cobrada pelos outros países sobre os produtos estadunidenses.
Ao todo, serão taxados 185 países.
“Os números são tão desproporcionais, são tão injustos. Ao mesmo tempo, estabeleceremos uma tarifa mínima de 10%. Isso será para ajudar a reconstruir nossa economia e evitar a trapaça”, afirmou Trump. O presidente ainda disse que os parceiros comerciais que não quiserem ser taxados devem transferir suas fábricas para os EUA.
Além das tarifas recíprocas, o governo norte-americano também confirmou o início da cobrança de 25% sobre automóveis e autopeças nesta quinta. Também começam a valer as taxas de 25% sobre as exportações feitas ao país e que não se enquadrem no USMCA (acordo comercial entre EUA, Canadá e México).
Vale lembrar que no mês passado passaram a valer taxas de 25% para as importações de aço e alumínio — algo que afeta diretamente o Brasil, que é o segundo maior importador do segmento para os EUA. O lado bom é que a Casa Branca confirmou que os produtos que já sofreram reajuste tarifário não serão sobretaxados. Ou seja, a tarifa de aço e alumínio não passa a ser de 35%.
O governo brasileiro publicou um posicionamento lamentando a decisão.
“Uma vez que os EUA registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando US$ 410 bilhões, a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a ‘reciprocidade comercial’ não reflete a realidade”, diz a nota.
O Brasil está avaliando todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, o Congresso aprovou um projeto que estabelece critérios para a reação do Brasil a barreiras e imposições comerciais de nações ou blocos econômicos contra produtos nacionais.
A reação dos mercados às tarifas de Trump não foi boa e os investidores podem esperar um banho de sangue no pregão de hoje.
As bolsas asiáticas fecharam no negativo, com a Nikkei (bolsa japonesa) liderando as perdas na região. Já o mercado europeu cai mais de 1%, enquanto os futuros de Wall Street amargam queda em torno de 3% nesta manhã.
Por aqui, no último pregão, o Ibovespa (IBOV) o principal índice da bolsa brasileira fechou aos 131.190,34 pontos, com leve alta de 0,03%. Já o dólar à vista (USBRL) encerrou as negociações a R$ 5,6967, com recuo de 0,25%.
O iShares MSCI Brazil (EWZ), o principal fundo de índice (ETF) brasileiro em Nova York, chegou a disparar 0,9% após Trump anunciar a taxação de 10% sobre o Brasil, com a surpresa de uma tarifa menor do que a esperada.
Apesar disso, o índice devolveu os ganhos e chegou a despencar 2,45%. No pré-market desta quinta, o EWZ cai 0,69%, cotado a US$ 25,96.
Para André Valério, economista sênior do Inter, Brasil tende a ganhar market share de suas exportações, à medida que essas regiões direcionem suas demandas para outro lugar, particularmente o agro, que sofre grande competição com o agro americano.
“Além disso, o fato de o Brasil ter sido menos taxado, tornará os nossos produtos relativamente mais competitivos em relação aos outros países, o que pode permitir maiores exportações aos Estados Unidos”.
Deu em Money Times
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