Pandemia 16/03/2021 09:52

Novo ministro da Saúde diz que lockdown “não pode ser política de governo”

Queiroga avalia ser medida “extrema”

O cardiologista Marcelo Queiroga, anunciado nessa 2ª feira (15.mar.2021) como novo ministro da Saúde, disse que lockdown é uma medida que só deve ser adotada para conter a pandemia do coronavírus em “situações extremas”.

As declarações foram feitas em sua 1ª entrevista depois de ser confirmado como chefe da Saúde do governo do presidente Jair Bolsonaro. Ele substitui o general Eduardo Pazuello, que ficou 10 meses no cargo.

“Esse termo de lockdown decorre de situações extremas. São situações extremas em que se aplica. Não pode ser política de governo fazer lockdown. Tem outros aspectos da economia para serem olhados”, afirmou Queiroga à CNN Brasil.

Para o cardiologista, é preciso “assegurar que a atividade econômica continue”. “A gente precisa gerar emprego e renda. Quanto mais eficiente forem as políticas sanitárias, mais rápido vai haver uma retomada da economia”.

O novo ministro da Saúde comentou ainda o “tratamento precoce” para covid-19. O tema foi motivo de discordância entre Bolsonaro e a também cardiologista Ludhmila Hajjar, cotada a assumir a Saúde em reuniões na tarde de domingo (14.mar) e na manhã de 2ª (15.mar).

O presidente defende a aplicação de remédios sem eficácia comprovada para prevenção da doença. Hajjar discorda. Segundo ela, o “1º ano de pandemia foi suficiente para demostrarmos o que não funciona, o que é o caso de cloroquina, ivermectina e vitamina D”.

De acordo com Queiroga, no entanto, o tema “precisa ser analisado para que a gente consiga chegar a um ponto comum que permita contextualizar essa questão no âmbito da evidência científica e da ciência”.

“Isso é uma questão médica. O que é tratamento precoce? No caso da covid-19, a gente não tem um tratamento específico. Existem determinadas medicações que são usadas, cuja evidência científica não está comprovada, mas, mesmo assim, médicos têm autonomia para prescrever”, disse o novo ministro da Saúde.

O médico disse ainda quais serão as suas prioridades na gestão da pandemia no Brasil. Segundo ele, é preciso que o Ministério da Saúde demonstre liderança na condução da crise. “Vamos criar uma grande união nacional, com um propósito de vencer a pandemia”, declarou.

“O presidente quer que questões operacionais sejam colocadas de maneira clara, de tal sorte que o conceito de que o Brasil sabe vacinar se repita, e a gente consiga vacinar a população, que é a maneira mais eficiente de prevenir a doença”, afirmou Queiroga.

Deu em Poder360

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista