Comportamento 26/12/2020 11:01

“Esquerda compra da esquerda”: grupo de vendas já reúne mais de 60 mil pessoas

"Fortaleça economicamente quem respeita direitos humanos, sociais, trabalhistas e ecológicos."

“Fortaleça economicamente quem respeita direitos humanos, sociais, trabalhistas e ecológicos.”

Esse é o mote do grupo de vendas “Esquerda Compra da Esquerda”, criado em novembro e que, em menos de dois meses de existência, já reúne mais de 60 mil membros no Facebook.

Entre os participantes, há desde vendedores de alimentos como a panificadora O Pão Que o Viado Amassou e a marmitaria vegana Cozinha Canhota (cujo logotipo é um garfo e uma foice, em referência à foice e martelo, símbolos do comunismo), passando por produtores de artesanatos diversos, até uma “fintech de esquerda” chamada LeftBank, espécie de Nubank com viés ideológico, que pretende ser “um banco, sem banqueiro.”

Segundo a fundadora, o grupo foi criado em resposta às hostilidades sofridas pela esquerda no Brasil desde 2015, ano em que teve início o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e pelo desejo de apoiar pessoas que passaram por dificuldades financeiras durante a pandemia.

“Queremos empoderar economicamente a esquerda e valorizar os nossos”, diz Erica Caminha, idealizadora do grupo.

Para Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Monitor do Debate Político no Meio Digital, a iniciativa é uma expressão do que se chama de “polarização afetiva”, que se difere do antagonismo ideológico do passado ao se expressar na forma de uma aversão ao campo político adversário e na reafirmação de identidades a partir do antagonismo. Nesse sentido, diz o pesquisador, há hostilidades de ambos os lados do espectro ideológico.

Magazine Luiza ou ‘Véio da Havan’?

Para entrar no grupo “Esquerda Compra da Esquerda”, o usuário do Facebook precisa ser convidado por alguém que já participa da comunidade e responder antes a três perguntas.

“Se você tivesse que comprar um liquidificador hoje, compraria com: Magazine Luiza ou Véio da Havan”, uma referência a Luciano Hang, proprietário da rede de lojas de departamento Havan e apoiador de primeira hora do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

“Você se considera de esquerda ou progressista: sim ou não” e “Em quem você votou em 2018? Haddad/Manuela ou Bozo/Mauzão”, referência a Bolsonaro e ao vice-presidente Hamilton Mourão.

“Nós conferimos no perfil da pessoa que pede para entrar se tem algum indicativo de que ela é de esquerda, se tem foto do Lula, do Boulos, do Che Guevara, alguma dessas coisas que identificam a esquerda”, diz Caminha, que conta com a ajuda de um grupo de moderadores voluntários para administrar a comunidade virtual.

“Mas temos consciência de que muitas pessoas, por receio, principalmente por questões de trabalho, não usam informação nenhuma nas suas redes sociais, aí se torna um pouco difícil para identificarmos, mas no geral tem funcionado bem.”

Deu na BBC

Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista