Sem categoria 22/09/2013 05:43

Prostitutas vítimas da ditadura querem anistia

Por fatorrrh_6w8z3t

Deu em O Globo
Lourdes Barreto se prostituiu por 53 anos. Hoje, com 71, e uma das principais líderes do movimento da categoria no país, preside o Grupo de Mulheres Prostitutas do Pará e tem muitas histórias de confronto com a ditadura militar.
Foi presa várias vezes, apanhou e liderou movimento pela reabertura da zona do meretrício em Belém, fechada pelos militares em 1971. O local foi invadido e lacrado por agentes da Marinha, da Aeronáutica e da Polícia Federal. Dependiam do local cerca de duas mil profissionais.
— Quem estava dentro não saía, quem estava fora não entrava. Foi uma guerra — lembra.
A repressão às prostitutas e a outros profissionais do sexo não partia só das Forças Armadas. As polícias Civil, principalmente, e a Militar também agiam.
Mesmo sem envolvimento ou militância política, há profissionais do sexo que reivindicarão na Comissão de Anistia o direito à reparação econômica e anistia do Estado por perseguição, que se dava por questões morais, de costume e sexual. O primeiro caso de pedido na comissão será da travesti Safira Bengell, que trabalhava em casa de shows no Rio. Ela diz que foi perseguida, presa e torturada.
— Afetaram a minha integridade. Fui presa várias vezes e me jogavam água gelada somente pelo fato de eu me vestir de mulher. Quando estávamos na cela, muitas se cortavam com giletes para serem soltas depois de irem para o hospital serem medicadas — contou Safira Bengell.
— Tínhamos que fazer sexo com os carcereiros e policiais para recebermos um pouco de água — disse Safira, cujo nome de batismo é João Alberto Souza. Ela ainda faz shows transformistas no Piauí.

Ricardo Rosado de Holanda



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