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Corrupção 12/03/2026 09:09

Estadão chama contrato entre escritório de Viviane Barci e Banco Master de “escárnio”

Estadão chama contrato entre escritório de Viviane Barci e Banco Master de “escárnio”

O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta quarta-feira (11) um editorial crítico ao contrato firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do  Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e o Banco Master.

No texto, o jornal afirma que a explicação apresentada pela banca “não parece destinada a convencer ninguém” e classificou as justificativas como um teste aos limites da credulidade pública.

O acordo analisado pelo jornal teria alcançado R$ 129 milhões entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, com pagamentos mensais estimados entre R$ 3,6 milhões e R$ 5,8 milhões.

Especialistas dizem que valores fogem ao padrão do mercado

Para avaliar a compatibilidade dos honorários com práticas comuns da advocacia, o jornal consultou 13 advogados de grandes escritórios.

Segundo o editorial, a conclusão foi de que o valor pago pelo Banco Master estaria muito acima do padrão normalmente praticado no setor.

Mesmo considerando honorários elevados, especialistas afirmaram que as atividades descritas — como reuniões institucionais, pareceres jurídicos e revisão de políticas internas — dificilmente ultrapassariam R$ 7,8 milhões no total.

Honorários desse porte costumam ocorrer em grandes operações

O editorial observa que pagamentos superiores a R$ 100 milhões em honorários jurídicos geralmente aparecem em grandes disputas fiscais ou operações societárias complexas, que costumam envolver várias equipes de advogados e diferentes áreas de especialização.

Nesse contexto, especialistas ouvidos pelo jornal também teriam questionado a experiência técnica do escritório nas áreas contratadas.

Crescimento patrimonial também foi mencionado

Outro ponto destacado no editorial foi o crescimento patrimonial da advogada.

De acordo com uma apuração citada no texto, o patrimônio de Viviane Barci de Moraes teria aumentado 232% entre 2023 e 2024, passando de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões.

Para o jornal, esse crescimento foi descrito como “um fenômeno”.

Editorial menciona encontros e investigações

O texto também faz referência a encontros entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.

Além disso, o editorial menciona mensagens interceptadas pela  relacionadas a interesses da instituição financeira.

O jornal ressalta que, isoladamente, esses elementos não configuram crime, mas afirma que, em conjunto, eles formariam um conjunto de indícios que justificaria investigação.

“Contudo, no conjunto, esses indícios compõem uma base objetiva que demanda investigação imediata”, afirma o editorial.

Caso também cita decisões envolvendo outro ministro

O editorial também menciona possíveis conexões relacionadas ao ministro do STF Dias Toffoli, envolvendo decisões judiciais associadas ao caso.

Na avaliação do jornal, caberia principalmente ao Ministério Público conduzir a apuração das suspeitas.

Crítica à atuação da Procuradoria-Geral da República

O texto também faz críticas à atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo o editorial, a instituição tem adotado posturas distintas em casos envolvendo autoridades públicas, o que, na avaliação do jornal, contribui para uma percepção de seletividade na aplicação da lei.

Defesa de investigação transparente

Na conclusão, o editorial sustenta que autoridades públicas devem prestar contas à sociedade e afirma que a ausência de esclarecimentos mais detalhados pode afetar a confiança nas instituições.

O jornal defende que as suspeitas relacionadas ao caso sejam investigadas de maneira transparente, como forma de preservar a credibilidade do sistema institucional.

De em ContraFatos

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista