Petróleo 05/03/2022 09:41

Após invasão da Ucrânia, petróleo russo não encontra comprador

Até o momento, as sanções ocidentais contra a Rússia tentam não afetar o setor de energia, que é crucial para a Europa

Uma semana após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o petróleo russo luta para encontrar compradores, que temem o estigma, possíveis sanções futuras e complicações logísticas, apesar das crescentes preocupações com a escassez do mercado.

“O comércio de petróleo continua congelado e calculamos que 70% do mercado esteja paralisado, com um impacto particularmente grande nas vendas marítimas”, explica à AFP Livia Gallarati, analista da consultoria Energy Aspects.

Até o momento, as sanções ocidentais contra a Rússia tentam não afetar o setor de energia, que é crucial para a Europa: a Alemanha, por exemplo, importa 55% de seu gás da Rússia. Quanto ao petróleo, a Rússia é o segundo maior exportador mundial, atrás da Arábia Saudita.

Mas, à medida que as entregas já firmadas por oleodutos continuam, muitas empresas e refinarias preferem evitar o petróleo russo, apesar das tensões no fornecimento de combustível.

O risco é que os preços subam ainda mais, após bater recordes quase todos os dias: o barril de Brent, referência para o mercado europeu, custa mais de 110 dólares, contra menos de US$ 65 há um ano.

Além do risco de os governos mudarem de ideia sobre as sanções, os analistas apontam para a possibilidade de os importadores enfrentarem condenação pública.

No norte da Europa, a refinaria finlandesa Neste “substituiu quase completamente o petróleo russo por outras fontes, especialmente do Mar do Norte”, disse o grupo em comunicado.

A sueca Nynas também anunciou que “deixará de comprar matérias-primas de origem russa”.

– Potenciais compradores asiáticos –

Segundo Gallarati, mesmo o petróleo que não é russo, mas é exportado daquele país, como o cazaque, atualmente tem dificuldades para sair dos portos russos, já que as companhias de navegação também os evitam.

Mas ele acha que a incerteza dos compradores pode se dissipar se o Ocidente continuar eliminando as sanções energéticas: “Poderemos ver quais compradores estão dispostos a retomar as compras”.

“A China e a Índia provavelmente retomarão as compras assim que os problemas de frete, seguro e pagamento forem resolvidos”, diz.

As sanções contra a Rússia tornam difícil e caro garantir e enviar cargas, bem como transações financeiras. Mas as refinarias indianas e chinesas não conseguirão absorver toda a produção russa: cada país constrói suas refinarias com base no petróleo que pretende usar e é difícil adaptar a infraestrutura.

A longo prazo, “as empresas ocidentais deixarão de ajudar a Rússia com financiamento e tecnologia para seus projetos de extração”, prevê Jarand Rystad, diretor da empresa de análise Rystad Energy.

Deu em Correio Braziliense
Ricardo Rosado de Holanda



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