Política 04/06/2021 09:00

“Estamos voltando à velha política”, diz Eduardo Cunha sobre 2022

“Nova política” acabou, di. Não há espaço para 3ª via. Lula foi preso injustamente. “Não há negacionismo”, diz. Afirma que CPI é “palanque”

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB) está de volta à política. Não à política eleitoral, para a qual retornará depois de 2022. Mas para os bastidores, de onde articula a eleição da sua filha Danielle para a Câmara.

Conhecido pela sua capacidade de analisar o cenário político com precisão, Cunha, que está com 62 anos, faz uma previsão para as eleições de 2022: a onda da novidade acabou. É a hora da “velha” política.

“A política vai preponderar. Os alijados do processo eleitoral em 2018 por essas razões, essa antipolítica, voltarão. Será uma eleição mais semelhante a 2014 que 2018″, afirmou.

Cunha diz não acreditar na possibilidade de haver uma 3ª via eleitoral: “Eu diria que a eleição tem um quadro definido: Bolsonaro e Lula. Não vai se alterar”.

Sobre a CPI da Covid, afirma que as sessões são “palanque político” e os envolvidos, “animadores de cemitério”. Algoz do PT, hoje acredita que Jair Bolsonaro tem chance de vitória no ano que vem.

Em momentos distintos da entrevista, Cunha defendeu tanto o atual presidente quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sobre o 1º, diz que não é “negacionista‘’ e que os erros na pandemia foram frutos do desconhecimento.

Já sobre Lula, afirma que o petista foi preso injustamente. Situação que alega também ter ele próprio enfrentado.

O seu retorno à vida política se dá por meio do livro “Tchau, querida: o diário do impeachment”, no qual relata conversas com ex-presidentes da República e o processo que resultou na cassação do mandato de Dilma Rousseff, em 2016. Editado pela Matrix, o livro será lançado em Brasília na próxima 4ª feira (9.jun.2021), em noite de autógrafos no shopping Pátio Brasil.

Cunha presidiu a Câmara por 1 ano e meio no período de 2015 a 2016. Foi investigado pela Lava Jato e afastado do mandato de deputado pelo STF, em maio de 2016. Em setembro daquele ano, foi cassado pelos seus colegas na Câmara.

Em outubro, por determinação do então juiz Sergio Moro, foi preso e levado para uma cela na região metropolitana de Curitiba.

Em março de 2017, foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Nunca fez delação premiada e continuou a se defender das acusações em Instâncias superiores da Justiça.

Em março de 2020, sua prisão preventiva foi transformada em prisão domiciliar por causa da pandemia de coronavírus. Cunha obteve o benefício por causa da idade (estava com 61 anos e havia sido submetido a uma cirurgia), o que o colocava entre pessoas vulneráveis à covid.

Em 28 de abril de 2021, a prisão de Cunha foi revogada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Ele está neste momento livre, sem tornozeleira eletrônica e responde em liberdade a vários processos.

Eduardo Cunha será articulista do Poder360 a partir desta 2ª feira (7.jun.2021). Escreverá quinzenalmente. Diz que pretende analisar o presente e compará-lo ao passado para situar o leitor historicamente.

Deu em Poder360

Ricardo Rosado de Holanda



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