Comércio 15/04/2020 08:06

“A economia vai entrar em colapso”, prevê o presidente da Fecomércio

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus tem afetado diversos setores da economia com fechamento de empresas, demissões e diminuição do faturamento.

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus tem afetado diversos setores da economia com fechamento de empresas, demissões e diminuição do faturamento.
Em entrevista ao programa CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília —, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Francisco Maia, afirma que o pior cenário será quando as atividades comerciais voltarem a funcionar.
“Esse momento vai ser crítico, porque é o momento que a economia vai entrar em colapso. O comércio não tem fôlego de suportar por mais 30 dias”, pontua Francisco.
De acordo com ele, mais de 20 mil empregados poderão ser demitidos durante a reabertura do comércio. No setor de bares, restaurantes e hotelaria 4 mil pessoas já foram dispensadas do trabalho. Para o presidente da Fecomércio, esse é o segmento que mais sofre com a crise.
Como está a situação do comércio neste tempo de pandemia?

O governador de Brasília foi pioneiro nas medidas (de contenção da Covid-19) e isso teve um impacto muito grande no comércio. Surgiu, inicialmente, a oferta do Banco de Brasília (BRB) disponibilizando R$ 1 bilhão de reais para atender as pessoas que precisam. Hoje, o banco já atendeu mais de 500 empresas, e cerca de R$ 400 milhões foram aplicados para atender questões emergenciais.

Mas isso não impediu as demissões e fechamento de lojas, correto?
Sim. O setor mais prejudicado foi o de eventos, atingido pela primeira decisão do governador. Brasília estava recebendo muitos eventos importantes, que além de trazer pessoas de fora, estava ocupando a hotelaria, bares e restaurantes. Brasília é uma cidade que não tem turismo de entretenimento, tem turismo de negócio. São aquelas pessoas que vêm todos os dias à cidade para fazer algum contato com o governo. Então, essa foi a primeira facada. Não tem mais eventos, logo, imediatamente, esse setor entrou em colapso. Os restaurantes, atualmente, são os mais prejudicados porque eles têm a necessidade de vender hoje para se ter recurso para trabalhar amanhã. Então, realmente, é um setor que mais está sofrendo, a gente tem informação de pelo menos 15% desses estabelecimentos não vão abrir as portas mais.
Esses 15% em números absolutos representam quanto?
Há em torno de 150 restaurantes que não vão mais abrir as portas. Aqueles de grande porte têm capital de giro e facilidade para aprovar cadastros nos bancos. Então, esses vão conseguir sair de alguma forma. Evidentemente, não terá mais aquela estrutura, como por exemplo, loja de shopping. A gente está prevendo que, no momento da reabertura dos shoppings, haverá um número muito grande de pessoas desempregadas.
 
A reabertura de parte do comércio, como de móveis 
e eletroeletrônicos era necessária? Mesmo no momento em que os cientistas e médicos dizem que o isolamento ainda é muito importante?
O problema do afrouxamento é mais na consciência das pessoas. Se essas pessoas seguissem a risca as recomendações, não teria nenhum problema na reabertura de alguns setores. O caso das lojas de móveis e de eletrônicos, foi uma demanda da Federação das Indústrias.
 
Como equacionar a reabertura do comércio e a queda do movimento?
Não é porque vai abrir o comércio que o movimento vai normalizar. Esse é um momento em que a economia vai entrar em colapso. O setor de flores, por exemplo, pediu a reabertura e não tem cliente. Porque as pessoas estão com medo de sair para comprar. É algo que precisa ser analisado também.
Deu no Correio Braziliense
Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista